Em poucas horas de vôo, rumo a Buenos Aires, observo que Regina, chefe de cabine, não se deu conta de que dois passageiros de feições orientais são surdo-mudos.
Seriam estrangeiros? Para ela, talvez. Para o mundo, trata-se de uma outra linguagem.
A tentativa de diálogo entre a comissária de bordo e os dois é inexistente. Talvez pelo embrutecimento de seu trabalho, ela não perceba que outra abordagem é necessária para que se estabeleça um diálogo.
Ora ela tenta falar em inglês, ora em português. Ambos idiomas falham. A linguagem é outra. É visível, bastam alguns segundos de observação para entender que a comunicação com essa dupla se dá por sinais.
Regina insiste e lhes pergunta se eles preferem “pasta ou carne”. Eles respondem com as mãos. Ela persiste: “carne ou pasta”? Sem resposta. Mais uma vez, agora em inglês. Não dá certo.
Resultado: os passageiros vêem os pratos e acabam escolhendo. Terminado o embate lingüístico.
Ao longo da viagem, os dois conversam sobre sudoku, um deles traz na mão um livrinho. O outro tem uma câmera digital em mãos e fotografa o tempo todo. Parece mostrar ao amigo as vantagens, os recursos, mudando os efeitos.
Fico imaginando o seguinte cenário: um vôo repleto de surdo-mudos. Seria no mínimo um aprendizado para os comissários e para quem assiste de soslaio.
Na chegada ao aeroporto, ao sair da aeronave, Regina fala com funcionários e diz que os dois não falam língua nenhuma. Como assim, Regina? Um dos funcionários pede, falando, que os passageiros os acompanhem.
Buenos Aires, por quê?
Vim a Buenos Aires a convite da Nokia, que fará lançamentos ao longo do dia de hoje em mobilidade corporativa. Renderá material para a revista que edito, a GSMmania, e para o jornal Economia Interativa, no qual sou colaboradora fixa. E talvez para a revista Windows Vista, dirigida por Heinar Maracy.
Ao vivo
Para acompanhar ao vivo o que acontece neste evento, vou de Twitter. É um convite, leitores. Vamos lá.







