Arquivo do mês: fevereiro 2008

Etienne Delacroix prega arte e tecnologia

 

Etienne Delacroix em oficina no Campus Party Brasil

Cenário iluminado de Etienne Delacroix

Fotos: Fernando Cavalcanti

O físico belga e pesquisador Etienne Delacroix é conhecido pela sua militância no terreno que mescla tecnologia, arte e inclusão.
Para conhecer o trabalho desse artista-físico e pesquisador do MIT no Campus Party, é preciso aderir à proposta de Delacroix para o uso da arte para estruturar a experiência do desconhecido. Em várias mesas improvisadas, há uma espécie de exposição de trabalhos realizados por várias comunidades de crianças, adolescentes e adultos de periferias de todo o Brasil.
O ofício de Delacroix consiste em usar peças de computador antigas para criar arte digital. Ele mescla canos de PVC, borracha e componentes eletrônicos e sugere que os envolvidos discutam para, em seguida, partir para a criação de um objeto.
Apesar de Delacroix gostar de música, sua vida profissional começou pela física. Ele começou a estudar essa ciência por instinto. “Depois de muitos anos de estudar física, me dei conta de que estava chegando aos limites da percepção, preparando-me para fazer arte.” Começou, então, a pintar e a explorar os algoritmos dos gestos.
No Campus Party, seu trabalho começa com uma palestra, na qual ele detalha que a necessidade de articular bits, átomos e linguagem é primordial. Ele fala um português mesclado ao espanhol, ao inglês, ao alemão e ao francês.
O que prova seu nomadismo para pregar arte e tecnologia.
Este nômade pontua sua fala e chama a atenção para o fato de haver 3 bilhões de pessoas espalhadas pelo planeta usando computadores. “Você sabe quanto isso gera de lixo digital?”
Ele provoca o público com uma apresentação que mostram um garoto diante de uma tela. Na imagem ao lado, há um chip ou uma imagem de zeros e uns. “Ninguém consegue dimensionar que diante do monitor há uma sucessão de bits.”
Em seguida, parte-se para a prática, que exige concentração em meio ao áudio dos workshops que acontecem simultaneamente. Depois de se desconectar do ambiente, o participante entra em um outro mundo, no qual ele começa a questionar o papel de um componente.
Ao final de algumas horas, os campuseiros compartilham suas obras, fotografam, conversam e as deixam para exposição. Delacroix me confessa baixinho que está um pouco cansado de ser nômade. Chegou aos 60 completamente desterrado sem laços ou vínculos. Quer voltar para a Bélgica e continuar seu trabalho conectado com o mundo.
Conversar com este nômade deveria ser obrigatório. Por horas a fio. Arte na educação. Arte para os sentidos. Quem esteve in loco pôde ou pode, até sábado, dar-se ao trabalho de observar detalhes de toda a construção de cada objeto.

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Computer Party: primeiro, segundo e terceiro dias

Um olhar sobre a féerica feira Campus Party na Bienal do Ibirapuera com números oficiais e extra-oficiais.
Pouco importam as estatísticas. O registro é válido.

Sergio Amadeu, Marcelo Branco e Paco Ragageles

Fotos: Fernando Cavalcanti

Na imagem acima, na mesa, Sérgio Amadeu, diretor de conteúdo, Marcelo Branco, diretor-geral, e Paco Ragageles, co-fundador, do Campus Party, durante coletiva no final da tarde da segunda-feira, dia 11

Rosa e azul

Rosa e azul

Gilberto Gil e Marcelo Branco Campus Party

Ministro da Cultura Gilberto Gil em ritmo de Campus Party

O músico ministro da cultura Gilberto Gil com dupla da Reac Table

Gil na mesa da dupla espanhola Reac Table

Rainha da bateria Roberta Kelly da escola de samba Nenê da Vila Matilde

A rainha da bateria Roberta Kelly e ritmistas da escola de samba Nenê da Vila Matilde contagiam campuseiros na abertura oficial do Campus Party Brasil

Robô Quasi em contagem regressiva no Campus Party

O robô Quasi balbucia a contagem regressiva pouco antes da meia-noite

Heather Champ, do Flickr

No primeiro dia oficial, com os campuseiros já devidamente instalados, Heather Champ, diretora-geral de comunidades do Flickr, viciada em fotografar, confessa que prefere câmeras com filmes às digitais

Marcelo Tas, Miranda e Luiza

Marcelo Tas, Miranda e Luiza em tentativa de debate, que acabou sendo monopolizado pelo diretor-geral do evento, Marcelo Branco.
Ok, no problem.
Durante o bate-bola, Branco foi contundente. Convocou todos para um protesto contra a criminalização do download P2P.
A platéia delirou. Tas tratou de pôr panos quentes.
Foi bárbaro. Mais tarde, houve quem achasse que aquela fala era “coisa de comunista”. Preconceito de quem não sabe lidar com a diferença. Seguramente. Todos sabem que Branco é ativista. Militante até o último fio de cabelo. Com toda sua militância e pragmatismo, ele conseguiu fazer um evento, com uma grande equipe, no qual ninguém dava o menor crédito.
A imprensa saiu correndo atrás do prejuízo, quando viu as filas que se formavam na segunda-feira. Nem mesmo os organzadores, nervosos com razão, imaginavam o que estava para acontecer.
A fala de Branco é incendiária. Palmas para ele. É necesário bancar essa hipocrisia que as gravadoras deitam e rolam no jornalismo chapa branca bancado pela mídia impressa e 0nline.
Aliás, como lembrou o blogueiro Marcelo Tas,  com sua hipótese, “as gravadoras acabaram porque todos têm gravadores em casa”.

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Fila Computer Party ao meio-dia

Fila #cparty 1º dia

Originally uploaded by mzilveti

Cabeludos, roupa preta, comportados, estrangeiros. Tem de tudo na fila do primeiro dia do Campus Party Brasil, no prédio da Bienal do parque Ibirapuera. Já entrevistei dois professores peruanos que vieram de Arequipa e estão “animosos” com o que vem por aí. Um evento para reunir gente geek, nerd, micreiro e simpatizantes durante uma semana acampados no segundo andar.

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Barça e Sampa em dois eventos hi-tech

3GSM World e Campus Party Brasil 2008 acontecem simultaneamente em Barcelona e São Paulo a partir de hoje.
Eu adoraria rever a Calalunia, não importa a estação, mas praticamente acamparei durantes sete dias na Bienal para escrever, subir, postar, blogar, twittar, clicar etc.

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um post pornográfico

consenso e fato consumado: a sacanagem desbragada, a mais grossa patifaria, é rentável. que bem o diga a indústria pornográfica. os números são desencontrados, no entanto, para onde quer que se dirijam as balas perdidas do tiroteio estatístico, os alvos estão sempre na casa dos milhões de dólares _segmentos e produtos específicos_ ou bilhões de dólares ao ano, no caso da indústria norte-americana. filmes, livros, sites, canais de TV, revistas, jogos de computador e de videogame, serviços de tele-sexo…

a lista de produtos e serviços continua, se é que podemos utilizar o termo, a crescer. conteúdo para telefonia celular, menos que uma nova fronteira, é uma área concreta de expansão. segundo a empresa britânica Juniper Research, pornografia via celulares faturou na Europa, em 2007, 775 milhões de dólares.

relatório da Juniper, sugestivamente batizado com o nome de Adult Content in the Palm of Your Hand, realiza um mapeamento dos diversos tipos de conteúdos que podem ser oferecidos aos assinantes.

entre o material de “entretenimento adulto” estão inclusos serviços de mensagem SMS como piadas, encontros e bate-papo, videoclip, conversa por vídeo, fotos, toques de celular em gemidos e joguinhos.

o relatório na verdade é apenas o resumo, um “whitepaper”  com base em trabalho mais elaborado do órgão de pesquisa, o Mobile Adult Subscriptions, Downloads, Video Chat & Text-Based Services 2007-2012 (Fourth Edition), uma verdadeira radiografia e uma extensa análise de negócios para empreendedores do setor.

são considerados aspectos como obstáculos culturais e marcos regulatórios de diferentes países em relação à matéria, aspectos comportamentais do consumidor, tecnologia necessária para tráfego do conteúdo multimídia, controle de acesso aos menores de idade, formas de estabelecer preços, estrutura das operadoras de telefonia para suportar o tráfego de informação multimídia, além de avaliação do potencial do negócio, retorno de investimento, adoção da tecnologia 3G e demais pontos.

o relatório estima ainda que o mercado europeu até o ano de 2012 deverá chegar a 1,5 bilhão de dólares, seguido de perto pela China e extremo oriente. em todo o mundo o mercado deve atingir 3,5 bilhões de dólares em 2010. na projeção de crescimento os Estados Unidos devem saltar da posição atual de 1% do market share global para 12% em 2012.

Projeção de crescimento
 

mal-estar na cultura

o sentimento puritano na América do Norte anglo-saxã tem sido apontado como o responsável pela fraca, se é que podemos utilizar o termo, penetração dos serviços de pornografia por celular naquela parte do hemisfério.

plausível porém pouco provável. estimativas de analistas do mercado dão conta de que nos Estados Unidos o setor fature uma cifra da ordem de 20 bilhões de dólares ao ano, em filmes. por que, então, a timidez ao celular?

a possibilidade é de que a falta de comunicabilidade entre os diferentes padrões de telefonia móvel adotados pelas operadoras, tenha sido o real motivo de entrave ao desenvolvimento do setor no território da venda de serviços de sexo por celular.

mas ainda que seja, de fato, uma mera questão de padronização em telecomunicações que conta naquele país para que serviço de pornografia por celular não tenha decolado ainda e não uma suposta questão de fundo ético-moral, a pertinência da discussão nesse campo permanece. principalmente ao considerarmos os esforços da cultura ocidental de coibir questões como pedofilia ou mesmo a pornografia em sua mais completa expressão.

o inegável sucesso da indústria pornográfica no mundo inteiro talvez revele algo mais profundo nos rumos da nossa civilização, de nossa consciência coletiva. de como encaramos o desejo e a sexualidade, amor e libido, a cultura na acepção civilizatória e seu oposto, a supremacia do sentido (desejo) impulsionando a barbárie.

1 comentário

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Mal começou o maior evento de GSM e…

… os fabricantes de celulares já disputam entre si quem leva o troféu de melhor produto. O Mobile World Congress abre suas portas na segunda-feira, dia 11, em Barça, e um celular da Samsung já foi indicado. O G900 concorre com outros modelos de empresas como a Nokia, a Sony Ericsson e a LG.
A conferir.

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