O lugar do privado no espaço público

Cabine pública para ligações de celular em Copenhagen

Cabine pública para atender celulares em Copenhagen – foto do blog Future Perfect

Cabine para falar pelo telefone celular em locais públicos em hospital de Tóquio

Cabines públicas para atender celulares em hospital de Tóquio – foto do blog Future Perfect

As duas imagens foram registradas no blog Future Perfect do antropólogo Jan Chipchase, um andarilho e pesquisador que esquadrinha centenas de cidades pelo mundo para saber como os habitantes interagem com celulares em seu dia-a-dia.

As fotos pedem uma reflexão: o lugar do celular no espaço público.

No lounge (sala de espera) da SAS no aeroporto de Copenhagen, uma cabine com design moderno pede aos usuários de celulares para que falem suavemente no local ou, então, se dirijam ao interior do espaço.

No hospital de Ochanomizu, em Tóquio, o uso do telefone móvel é restrito a cabines de telefones públicos. Confinado a um espaço envidraçado, o dono do celular talvez possa falar no tom de voz que lhe for conveniente.

Pergunto: o celular não foi concebido para ser usado em qualquer lugar? Essas cabines exercem o papel de um espaço privado? Algumas têm cadeiras, outras ajudam o usuário com um bloco para eventuais anotações.

Em uma sociedade contemporânea na qual o espaço público equivale ao espaço da liberdade do indivíduo, as cabines telefônicas voltam a colocar fronteiras entre o privado e o público, algo que as tecnologias nômades vêm tornando indistinto.

Jan Chipchase acrescenta ainda que a cabine no espaço da SAS tem dois papéis: “O mais óbvio, um espaço dedicado em que viajantes podem bater papo; o outro é u ma forma sutil e criativa de lembrar os usuários das normas sociais do espaço”.

12 Comentários

Arquivado em Análises, Comportamento

12 Respostas para “O lugar do privado no espaço público

  1. Catarina Anderáos

    Interessante mesmo. As pessoas têm que tomar cuidado para não ultrapassar o limite da liberdade. O que mais se vê é gente dentro das empresas andando pelos corredores falando super alto no celular, ao invés de moderar o tom ou simplesmente sair do recinto.

  2. Carolina Souza

    Uma boa reflexão pra se fazer… outro dia estava no ônibus e uma algazarra estava instalada no final dele. Em determinado ponto da conversa um garoto disse “O ônibus é coletivo. Você sabe o que é coletivo?”. O problema é que ele esqueceu que neste caso, o individual não pode sobrepujar o coletivo… e isto vale para tantas outras coisas que presenciamos atualmente.

  3. metropolisjornalismo

    É curioso notar como o avanço das tecnologias da informação vem redesenhando de tal forma e tão velozmente as relações produtivas e sociais que, facilmente, vamos deixando para trás a arquitetura, a modulação da libido e toda uma ética e estética do ordenamento social, vigente desde o século 15.

    Não, não defendo uma volta ao modelo de mundo regido pela caserna, fábrica, hospital, com seus muros e torres de vigilância, até porque esse processo ainda é vigente no atual cenário da contemporaneidade.

    Mas me chamou a atenção, em alguns comentários acima, a animada defesa da telefonia móvel, que, por sua natureza, sempre vai implicar esse embaralhamento de fronteiras, derrubada de paredes (norteadoras de um senso de pudor) e redefinição das subjetividades individual e coletiva.

  4. Boa Felipe, essa foi muito boa mesmo! Rs, rs, rs

  5. É, tem pessoas que precisam mesmo dessas cabines, são aquelas que não precisam de celular, por que gritam tanto no telefone, que poderiam economizar desligando e continuar gritando, com certeza a outra pessoa ouviria da mesma forma!

  6. eliana

    Concordo com quem acha um contrasenso a cabine pra celular, que foi feito pra ser ” movel” . Por outro lado, é essencial que cada um se lembre de que o espaço publico exige a observância de certas normas de conduta tais como procurar se afastar dos grupos para falar ao celular ou, se nao for possivel, falar baixo e rapidamente diante de outras pessoas. Nos trens aqui da França o celular deve ser usado apenas na entrada dos vagoes. Quando um indelicado se poe a falar de seu lugar todo mundo reclama e às vezes o “controleur” intervém.
    Abraços,
    Eliana Bueno

  7. andrea marques camargo

    Realmente os celulares foram feitos para serem usados em todos os lugares, infelizmente as pessoas não têm consciência e nem respeito aos ouvidos alheios. Pode-se falar sim, mas em um tom baixo, ninguém é obrigado a participar da nossa vida, nossas discussões, nossos besteirois, etc.
    Bom senso e educação são TUDO.

  8. Eu gosto da ideia, mas a execução não precisava ser tão, digamos, separadora. Acho que dá para criar nichos mais ou menos isolados em um ambiente publico, que iriam atrair naturalmente os falantes, sem precisar segregar o espaço formalmente.

  9. Olha o Jan Chipchase mais uma vez aí🙂
    Muito interessante. Se o celular é móvel, limitar seu uso a certos espaços representa um movimento retrógrado. Por outro lado, como postei hoje no Bricolagem, o uso do celular em certos locais (como agora no avião) requer uma “etiqueta” que não deve ser ignorada. E a cabine como uma OPÇÃO (e não imposição) poderia ser útil praqueles que querem falar no celula sem serem ouvidos por meio mundo.

  10. Rodrigo Padron

    Não costumo oferecer resistência ao novo. Por isso, acho que há espaço para quase tudo. No caso das cabines, desde que usuários de celulares não sejam obrigados a falar dentro destes espaço, por mim, tudo bem. Fala na cabine quem tiver necessidade.

  11. tem um *como eu* a mais ali no meu texto e a última frase seria *em seus celulares*
    É o que dá não revisar antes! Sorry!
    =(

  12. A idéia de anotar recados é atraente para o mundo business. Mas o paradoxo privado/público nos coloca diante da questão: até onde o celular invade o espaço alheio?
    Eu sou uma que DETESTO quando alguém fala alto em seu aparelho móvel perto de mim e me tira a concentração no que quer que eu esteja fazendo, seja andando somente. Me incomoda! Mas… a rua é pública. E o cidadão tem o mesmo direito que eu de perambular nela como eu. Só que eu como sou educada o faço falando baixo e suavemente, preferindo lugares mais isolados.
    Enfim, é um assunto a se refletir.
    E apesar de ser a primeira a apontar o dedo a quem me atrapalha falando a todos os pulmões em nos celulares, cabine pra celular é estilosa, mas é demais!