Arquivo do mês: julho 2008

Abóboras no GPS do celular, o tal do geotag

Abóboras a escolher, originally uploaded by Mary Jo Zilveti.

Alguém aí gosta de abóboras? A questão não é bem essa. Mas a partir de um celular com GPS e câmera fotográfica, você instala um programa que, ao capturar a imagem, já carrega as informações de onde a fotografia foi tirada.
O Location Tagger pode ser baixado gratuitamente no site da Nokia. O fotógrafo sai por aí, clica e na foto ficam registradas as coordenadas.
Logo em seguida, ele pode enviar diretamente do celular a imagem ou via computador para postar no Flickr, no Picasa ou em outros serviços.
O internauta interessado vai ao mapa e localiza até de que modelo de celular a foto foi capturada. Vê no Flickr, sem muita precisão uma foto de satélite. É o tal do geotag.

Seria o auge do Big Brother? Ou uma necessidade de compartilhar a esmo o registro da imagem?

Nada melhor do que Andre Lemos, da UFBA, que anda esquadrinhando o Canadá, fazendo suas pesquisas, rastreando, refletindo, pensando para poder discutir sobre o assunto.
Leitura obrigatória é o seu blog Carnet de Notes http://www.andrelemos.info/, com documentos, ensaios e informações.

A dica do Location Tagger é do Cardoso, do Contraditorium e MeioBit.

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Celulares em números

Vamos ver se as contas fecham.
Segundo dados da Anatel de junho, o Brasil tem 133,2 milhões de linhas de celulares ativas. Desse total, pouco mais de 80% são de linhas pré-pagas.

O que sobra então para as operadoras trabalharem, já que os mais de 100 milhões de usuários praticamente não usam o celular para fazer ligações? É o famoso celular pai-de-santo, só recebe. Eparrei.

Pelos cálculos, restam quase 20%, ou 26,6 milhões de telefones pós-pagos. Mais: desse total, apenas 3% acessam a web, recalculando, são 798 mil usuários que utilizam seus telefones para acessar a web, enviar e-mail, subir fotos, entre outras funções.

Romina Aducci, diretora de telecomunicações do IDC para a América Latina, revelou dados interessantes durante o eveno da Nokia. A eles: em 2007, o instituto de pesquisas levantou que a América Latina tem 353 milhões de linhas de telefonia celular. Desse total, 61 milhões são telefones para uso corporativo.

Outras estatísticas que interessam à indústria de telefonia móvel: em 2007, havia 1 milhão de e-mails corporativos.

A Nokia divulga que de acordo com o Gartner e o IDC, em 2007 havia 750 milhões de caixas de correio corporativo em todo o mundo. Desse total, 30 milhões correspondem a contas corporativas móveis. As previsões apontam que em 2011 haverá 80 milhões de contas corporativas móveis.

Aí sim dá para entender por que a indústria aposta em celulares voltados para negócios. O lançamento de dois aparelhos, o E66 e o E71, é uma aposta na continuidade desse modelo. A briga é feia, pois nessa seara estão a RIM, dona do BlackBerry, que domina esse mercado, HTC, a Nokia, a Motorola, a Samsung, a Sony Ericsson e a LG. E há uma última copanhia que decidiu subir no ringue: a Apple, com o iPhone 3G.

Resta saber se os CIOs, os chefes de departamento de tecnologia, responsáveis pela decisão de compras de celulares corporativos, vão querer abrir mão do consolidado BlackBerry, que já tem versão slim, magrinha e com design mais atraente.

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Nomadismo em trânsito

Em poucas horas de vôo, rumo a Buenos Aires, observo que Regina, chefe de cabine, não se deu conta  de que dois passageiros de feições orientais são surdo-mudos.

Seriam estrangeiros? Para ela, talvez. Para o mundo, trata-se de uma outra linguagem.

A tentativa de diálogo entre a comissária de bordo e os dois é inexistente. Talvez pelo embrutecimento de seu trabalho, ela não perceba que outra abordagem é necessária para que se estabeleça um diálogo.

Ora ela tenta falar em inglês, ora em português. Ambos idiomas falham. A linguagem é outra. É visível, bastam alguns segundos de observação para entender que a comunicação com essa dupla se dá por sinais.

Regina insiste e lhes pergunta se eles preferem “pasta ou carne”. Eles respondem com as mãos. Ela persiste: “carne ou pasta”? Sem resposta. Mais uma vez, agora em inglês. Não dá certo.

Resultado: os passageiros vêem os pratos e acabam escolhendo. Terminado o embate lingüístico.

Ao longo da viagem, os dois conversam sobre sudoku, um deles traz na mão um livrinho. O outro tem uma câmera digital em mãos e fotografa o tempo todo. Parece mostrar ao amigo as vantagens, os recursos, mudando os efeitos.

Fico imaginando o seguinte cenário: um vôo repleto de surdo-mudos. Seria no mínimo um aprendizado para os comissários e para quem assiste de soslaio.

Na chegada ao aeroporto, ao sair da aeronave, Regina fala com funcionários e diz que os dois não falam língua nenhuma. Como assim, Regina? Um dos funcionários pede, falando, que os passageiros os acompanhem.

Buenos Aires, por quê?

Vim a Buenos Aires a convite da Nokia, que fará lançamentos ao longo do dia de hoje em mobilidade corporativa. Renderá material para a revista que edito, a GSMmania, e para o jornal Economia Interativa, no qual sou colaboradora fixa. E talvez para a revista Windows Vista, dirigida por Heinar Maracy.

Ao vivo

Para acompanhar ao vivo o que acontece neste evento, vou de Twitter. É um convite, leitores. Vamos lá.

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As promessas do iPhone 3G na telefonia móvel

Na sexta-feira, dia 11 de julho, mal as portas foram abertas e lá foram milhres de pessoas em 21 países atrás do objeto de consumo mais falado do últimos tempos: o iPhone 3G.

Setenta e duas horas depois, a Apple comunicava ao mundo que vendera 1 milhão de unidades do iPhone 3G. Os acionistas agradeceram. Pudera, as ações registraram alta de 2 pontos percentuais.

Segundo Steve Jobs, presidente da empresa, a primeira versão desse telefone, lançada em junho de 2007, registrou 270 mil unidades vendidas em dois dias. A marca de 1 milhão do primeiro iPhone foi alcançada em setembro.

Apesar de não suportar mais ouvir e ler sobre esse assunto, tão bombardeado, por ossos do oRifício (como diz uma amiga), entrevistei Luis Minoru Shibata, diretor-executivo da empresa Ipsos, que deu um parecer interessante sobre o impacto do iPhone 3G nas empresas e na sociedade.

Falei também com Henrique Martin, co-autor do blog Zumo, e atual editor do site MacWorld Brasil. Martin participou de um podcast do IDG Now, no qual foi bastante crítico em relação a esse hype. Foi exatamente isso que me chamaou a atenção.

As duas entrevistas fazem parte de uma reportagem que será publicada no jornal Economia Interativa, do qual sou colaboradora semanal.

Afinal, o iPhone 3G é tudo o que dizem? Martin acredita que ele tem recursos atraentes, mas será preciso esperar pela versão 3.0, 4.0 e por aí vai. Alguns itens, que ele faz questão de frisar: até agora a Apple não se deu ao trabalho de colocar uma câmera frontal no iPhone, imprescindível para videochamadas. Mais: ele também não permite filmar. Outro detalhe importante: não permite criar e enviar mensagens muiltimídia, MMS.

E a mídia continua babando, falando das maravilhas desse aparelho. Mesmo os mais experientes, ao citar os números oficiais da Apple, usam aquele velho discurso incorporando as informações, conferindo-lhes ar de verdadeiro. Ao se referirem à concorrência, mudam rapidamente para o velho e bom “diz a empresa que…”, colocando a afirmação na declaração do outro.

Mas um jornalista conhecido nos EUA e no The New York TImes, David Pogue, (versão traduzida pelo Link, do Estadão) parece um dos primeiros a escrever algo mais crítico.

Enquanto isso…

Bom os brasileiros terão de esperar até o final do ano, mas já há quem ofereça iPhone 3G desbloqueado. Alguém aí se candidata a me contar se já pôs as mãos nele?

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Nomad, nomadismo, nômade na era web móvel ou mobile

Um dos co-autores deste blog saiu de microférias. A idéia era partir para um lugar distante, no mar, próximo, geograficamente, a montanhas.

Nos trópicos, inverno a 25 graus centígrados = calor. Rumei então com duas adolescentes e duas crianças para Ilhabela, precisamente na praia do Pinto.

É a versão 2.0, pois no ano passado fiz o mesmo trajeto, porém ficamos em uma casa mais próxima do centro. O que significa mais perto de conexão com a web.

Em 2008, aqui, a 5 km da vila, sem conexão de cabo algum, vim munida de um ultraportátil notebook, um mini modem e meus celulares.

Feliz ou infelizmente a operadora TIM não pega bem aqui. Na casa onde estou as concorrentes fazem e aceitam chamadas. Não é de todo mal, pois recebo menos ligações. Na varanda, de onde avisto o mar a poucos metros, conecto o notebook e falo por telefone, de onde acesso a web com mais rapidez.

Esmiuçando: o mini modem, teoricamente, teria de fazer uma conexão 3G, com velocidade prometida de 1 Mbps. Claro, não estou em terra muito firme, então vamos de conexão GPRS, bem mais lenta. Equivale, mais ou menos, a uma conexão discada (para quem se lembra o que já foi esse tipo de acesso à web).

Um detalhe importantíssimo: quando se navega por conexão GPRS, você está abrindo sites na tela do seu celular. O que significa que essas páginas são mais leves, com poucas imagens. Por isso, carregam rapidamente. Os adeptos de web em celulares preferem mil vezes usar os endereços de sites feitos especialmente para abrir nas telinhas. Ao entrar na versão padrão, cai a velocidade para carregar a página.

Aí vai um exemplo de conexão GPRS em um notebook: para baixar um simples programinha para conectar o celular ao notebook de pouco mais de 30 megabytes, foi necessário esperar mais de uma hora. E olhe que o notebook que estou usando é pra lá de potente. Mal chegou às lojas. É um lançamento da HP e tem um chip de bom desempenho para quem precisa de um caderno quie pese pouco mais de 1 kg.

O que esperar de uma conexão mais lerda? Nada, pois quem mandou sair da base, onde tenho internet de banda larguíssima em mais de um computador.

Pergunto: dá para confiar na tal da conexão web móvel, proposta pelas operadoras Claro, TIM e Vivo, que oferecem descontos bacanas para quem comprar o mini modem e conectá-lo a seu notebook? Ou a seu computador de mesa?

Eu diria o seguinte: depois de quase duas semanas testando três notebooks ultraportáteis com três mini modems de três operadoras (parece o trava-línguas dos três tristes tigres), sou obrigada a confessar que o mini modem é útil sim.

E digo o por quê: na primeira semana, o teste foi realizado para a revista, na qual sou editora,  GSMmania. No meio da semana, aconteceu o famigerado apagão da Telefônica / Speedy, cujas explicações até agora não me satisfazem. Quem trabalha o dia inteiro conectado dança. Era o meu caso, pois meu escritório tem três máquinas, todas  usando banda larga Speedy.

Entre as incontáveis narrações sobre a pane, gosto bastante da relatada no Zumo, por Nagano, que trabalha muito bem em parceria com meu querido colega e amigo Henrique Martin, que, além de levar esse blog com muita competência, está de volta ao IDG Now, editando o site da MacWorld Brasil. Confiram.

No dia do pau geral, quase trucidei parte considerável da família, acreditando que minha filha mais velha tinha pegado algum vírus maléfico nas suas conexões Orkut ou MSN. Minha cara-metade teve a pressão alterada, pois eu vociferava que, durante o fechamento de uma edição, não se pode inventar de atualizar programa ou fazer alterações grandes no servidor.

E como sintonizar-se no noticiário? Bastava ligar a TV ou o rádio, óbvio. A internet parou em todo o Estado de São Paulo. Para nossa sorte, os mini modems deram conta do recado. E, mesmo em velocidade baixa, era possível acessar e-mails, entrar em sites, conferir informações e fechar uma revista.

Ah, e na agência, onde o fechamento das 68 páginas acontecia, a conexão não era da Telefônica. Menos mal.

E nesta segunda semana: o tal do mini modem, mesmo funcionando apenas na varanda da casa, e quando lhe dá na telha, me ajuda a conferir e-mails de urgência, entrar raríssimas vezes no Twitter e em sites noticiosos.

E por último, a atualizar este blog, que estava abandonado às traças digitais.

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