Arquivo do mês: outubro 2008

As estatísticas do mundo móvel

Americanos enviam e recebem mensagens de celulares nas situações mais perigosas. É o que constata  pesquisa divulgada no dia 21 de outubro, revelando que 77% dos entrevistados já usaram seus celulares para digitar textos enquanto dirigiam. E 41% disseram que já mandaram emails de celulares do tipo BlackBerry enquanto andavam de bicicleta ou a cavalo. Surreal, não?

Mais: 11% revelaram ter usado seus celulares para passar mensagens de email durante um encontro romântico, enquanto 79% afirmaram ter enviado mensagens do banheiro.

O levantamento tem o dedo da Neverfail, uma empresa de software para proteção de informações. E para quem se sente entediado em casamentos, saiba que 18% usaram seus celulares para escrever emails durante essas cerimônias, e 16%, durante um enterro. Em formaturas de faculdade, 37%.

Segundo a pesquisa, a proporção de usuários com dispositivos de mensagens de email vai crescer 40% até 2010. Em tempos de crise econômica, por conta da pressão, os donos de celulares devem postar mais. Quem afirma é Michael Osterman, presidente da Osterman Research of Black Diamond, que conduziu o estudo para a Neverfail. “Os trabalhadores terão de se dedicar mais”, disse. Ele acrescenta que com o aumento de demissões, os que ficam têm de dar conta, pois a responsabilidade da empresa é a mesma. Sei. Tá legal. Conheço esse papo furado de muito longe.

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 26 de agosto com 147 pessoas que responderam online. Ah, é bom recapitular que um maquinista ignorou um sinal vermelho, causando um acidente com 25 mortes. Robert Sanchez teria enviado mensagens de texto. Isso foi no início do mês.

Enquanto isso – O American College of Emergency Medicine alertou para que as pessoas não enviem textos enquanto caminham, pedalam ou andam de skate. Segundo o órgão, registrou-se um aumento de ferimentos e mortes relacionados a usuários que enviam textos inadequadamente.

Um outro levantamento da AAA (American Automobile Association) constata que metade dos adolescentes nos EUA enviaram mensagens enquanto dirigiam.

Distração por uso indevido de traquitanas?

Distração por uso indevido de traquitanas?

Indecente – Um senador estadual de Nova York propôs lei para impedir que pedestres atravessem ruas com seus iPods e similares, com multas de US$ 100! Pode? O nome do sujeito é Carl Kruger, e na proposta dele incluem-se outras traquitanas, leia-se BlackBerries e celulares, mas o senador citou a marca iPod. Fazer o quê! Isso foi em fevereiro do ano passado e o logo acima saiu pela  Methodshop.

O legislador se dá ao luxo de mencionar, sem base estatística alguma, que o uso de gadgets está adquirindo proporções endêmicas. O senador relatou o caso de um rapaz de 23 anos que foi atropelado porque ignorou o sinal, enquanto escutava música. “Uma evidência da praga de nossas ruas.” Esse tipo de distração já ganhou o apelido de “iPod Oblivion”. Gente de cabeça oca existe aos montes. E, nesse mundo de ode ao consumo, culpar os MP3-players por isso chega a ser patético. E duvideodó que o lobby da indústria de celulares e traquitanas deixaria.
O inventor do Walkman, Akio Morita, há mais de 30 anos, não imaginaria isso.

Campanha de gosto duvidoso da policia australiana

Campanha de gosto duvidoso da polícia australiana

Quer mais? – Em janeiro deste ano, a polícia australiana (New South Wales) encomendou à agência de publicidade DDB uma campanha para sensibilizar a sociedade pelo uso de traquitanas no ouvido. Ok, mas cadê as estatísticas de atropelamento por distração? E quem disse que todos que andam com seus celulares no ouvido ou tocadores de música são distraídos. E os caras não brincam em serviço. No site, há os preços das penalidades para pedestres que saírem da linha. Literalmente.

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Nokia: música de graça, ou quase

A loja iTunes da Apple domina praticamente metade das vendas de música online  em todo o mundo. E onde entra a Nokia nisso tudo? Ela anunciou no dia 2 de outubro, durante evento em Londres, que vai oferecer um serviço de música. Trata-se do “Comes with music”, em tradução literal, “Já vem com música”.
Até aí, nenhuma novidade retumbante, uma vez que a Sony Ericsson lançou recentemente o PlayNow Uncut, que antes tinha o apelido de M-Buzz, uma extensão do serviço PlayNow, e a LG planeja algo similar.
Nada retumbante? Ledo engano: o produto da empresa finlandesa se diferencia dos demais porque os usuários podem ficar com todo o conteúdo baixado no período da assinatura, que deve variar de 12 a 18 meses. Traduzindo: não há ônus algum para baixar as músicas, pois o custo está embutido no preço do telefone.
E o que os especialistas têm a dizer sobre isso? O serviço da Nokia vai trazer música gratuita a milhões de consumidores, mudando o cenário da indústria fonográfica. O lançamento de celulares com acesso ilimitado a download de canções pode trazer uma mudança radical no consumo de música digital.
E não é só isso. A Nokia conhece muito bem o impacto das vendas do iPhone no mercado. Não é à toa que, desde o ano passado, a empresa promoveu uma reviravolta em seu modelo de negócios, tendo como alvo principal serviços na web para combater o lento crescimento em vendas de celulares.
E, de quebra, também saiu do forno no mesmo dia o 5800 XpressMusic, um celular com tela sensível ao toque, que deverá ser vendido em meados deste mês na Grã-Bretanha, o terceiro maior mercado música online.
Esse modelo era esperadíssimo. Era a única pegunta que importava em qualquer entrevista onde estivesse um porta-voz da Nokia. Motivo óbvio: a empresa nunca havia oferecido ao consumidor um aparelho com tela sensível ao toque nesses moldes.
O que interessa aqui não é necessariamente se o aparelho é uma cópia ou se faz jus ao iPhone. A Nokia está de olho é em aparelhos que façam o consumidor ir atrás de conteúdo oferecido por ela.  Não é à toa que já comprou outras empresas com serviços para acessar a web pelo telefone, entre eles o OVI e o Mosh.

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