Nokia: música de graça, ou quase

A loja iTunes da Apple domina praticamente metade das vendas de música online  em todo o mundo. E onde entra a Nokia nisso tudo? Ela anunciou no dia 2 de outubro, durante evento em Londres, que vai oferecer um serviço de música. Trata-se do “Comes with music”, em tradução literal, “Já vem com música”.
Até aí, nenhuma novidade retumbante, uma vez que a Sony Ericsson lançou recentemente o PlayNow Uncut, que antes tinha o apelido de M-Buzz, uma extensão do serviço PlayNow, e a LG planeja algo similar.
Nada retumbante? Ledo engano: o produto da empresa finlandesa se diferencia dos demais porque os usuários podem ficar com todo o conteúdo baixado no período da assinatura, que deve variar de 12 a 18 meses. Traduzindo: não há ônus algum para baixar as músicas, pois o custo está embutido no preço do telefone.
E o que os especialistas têm a dizer sobre isso? O serviço da Nokia vai trazer música gratuita a milhões de consumidores, mudando o cenário da indústria fonográfica. O lançamento de celulares com acesso ilimitado a download de canções pode trazer uma mudança radical no consumo de música digital.
E não é só isso. A Nokia conhece muito bem o impacto das vendas do iPhone no mercado. Não é à toa que, desde o ano passado, a empresa promoveu uma reviravolta em seu modelo de negócios, tendo como alvo principal serviços na web para combater o lento crescimento em vendas de celulares.
E, de quebra, também saiu do forno no mesmo dia o 5800 XpressMusic, um celular com tela sensível ao toque, que deverá ser vendido em meados deste mês na Grã-Bretanha, o terceiro maior mercado música online.
Esse modelo era esperadíssimo. Era a única pegunta que importava em qualquer entrevista onde estivesse um porta-voz da Nokia. Motivo óbvio: a empresa nunca havia oferecido ao consumidor um aparelho com tela sensível ao toque nesses moldes.
O que interessa aqui não é necessariamente se o aparelho é uma cópia ou se faz jus ao iPhone. A Nokia está de olho é em aparelhos que façam o consumidor ir atrás de conteúdo oferecido por ela.  Não é à toa que já comprou outras empresas com serviços para acessar a web pelo telefone, entre eles o OVI e o Mosh.

24 Comentários

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24 Respostas para “Nokia: música de graça, ou quase

  1. odieiiiiiiiiiiiiiii essee site porque nao tinha o q eu queria esse site tem que sairrrr do mapaa beijossssssss baba

  2. Jacqueline

    Acho o máximo esta jogada da Nokia da indústria do entrenimento. Mas acho muito mais bacana e menos comentado as pesquisas antropológicas que ela faz para tornar o celular mais acessível as pessoas de culturas e países diferentes. Claro que não é por “amor fraternal”. Mas comunicação faz muita diferença para pessoas na área rural africana ou brasileira – tão carentes de recursos de comunicação.

  3. Oi Marijô! Que legal esse blog! Valeu a dica. Já vou no RSS! eheh

    beijocas
    Crocas

  4. Amiga, bom dia.

    Esta conversa sobre música de graça foi parar ou continuar por aqui…

    http://www.picturapixel.com/blog/?p=9794

    Esta parceria vai longe.

    Abs digitais.

  5. A Nokia está na direção certa, em favor das novas tendências e de uma outra postura dos consumidores – agora digital, com demandas customizadas. Outro dia, no Digital Age 2.0 ouvi o seguinte caso de um dos palestrantes.

    “O filho de um amigo meu, de menos de três anos de idade, insiste em tocar na tela gigante de TV, pedindo pelos Backyardigans. Mas a TV não responde, como se estivesse ignorando os desejos dele. Este menino, prefere o computador, onde ele pode encontrar episódios do Backyardigans, no momento em que ele desejar”.

    Com música, é a mesma coisa. Os consumidores querem carregar e ouvir apenas os que interessa a eles. É uma nova ordem.

    Beijos, Mari-Jô e parabéns pelo blog.

  6. Cida,
    amiga de antanho!
    Concordo com você quando se fala em mercado dos mesmos. Não entendo de negociações com gravadoras, mas acredito que seria mais fácil e até mais barato para que outras manifestações acessíveis tivessem visibilidade nesse negócio.
    Queria aproveitar aqui para sugerir a leitura da reportagem do grande Jotabê Medeiros, que saiu no Estadão no dia 21 de setembro, intitulada: “Não existe mais indústria musical”. As aspas são de Eumir Deodato, entrevistado de Jotabê. Ah, basta entrar em http://digital.estadao.com.br/home.aspx e colocar nos campos a data, escolher caderno Cultura, página D2 e a data, 21 de setembro de 2008.
    Outras frases geniais do entrevistado: “As gravadoras sempre me pedem para fazer um disco, mas eu acho besteira fazer disco. Então meus discos são todos piratas, ou cópias, ou relançamentos ou compilações.”
    “Selo não existe mais, só se for selo postal. Só o selo de lamber (risos).”

  7. Tudo isto para perpetuar o mercado dos mesmos, hit parade etc.
    Quero ver se neste universo todo de músicas “acessíveis” tem Pereira da Viola, Anat Cohen, Malajube, música Kurda e tantas outras manifestações culturais que sequer sabemos…

  8. Versiani e demais interessados,
    aí vai um link do blog do Serginho Amadeu sobre a discussão do projeto do senadro Azeredo e outras atrapalhadas do judiciário sobre a rede. Merece leitura e discussão:
    http://samadeu.blogspot.com/2008/09/caso-de-censura-twitter-mostra-os.html

  9. Pois é, Versiani, esse projeto do Azeredo é algo digno de discussões e mais discussões, pois o senador perdeu totalmente a noção (se é que algum dia teve) do que é rede e democracia, quando rascunhou o projeto. Eu gosto muito de conversar e freqüentar o blog do amigo combatente e inflamado Sergio Amadeu http://samadeu.blogspot.com/. Ao vivo então, em plena Campus Party, como aconteceu no início deste ano em São Paulo, Serginho é capaz de atear fogo de tão inflamado que fica. Abraços a todos.
    Mari-Jô Zilveti

  10. E sem falar no “brilhante” projeto do distinto senador Eduardo Azeredo…

    Abs digitais, mais uma vez.

  11. Versiani tem razão.
    Depois da queda abrupta, para não dizer praticamente derradeira da venda de CDs, os artistas são obrigados a fazer shows para viver ou manter seu status. Outro dia vi na TV que um célebre do rock faz shows cinco ou seis dias da semana nos EUA. E para levar toda a trupe, haja infra-estrutura. Noves fora, o cara trabalha como qualquer um. E tem de ralar, pois a preparação inclui até personal para aguentar tanto sacolejo no palco.
    E isso encarece mesmo o preço de um show. É praticamente inviável, também em casa, querermos ir assistir a um show quando vem uma estrela internacional por estas plagas. E não estou falando de Madonna. Nós queríamos ter visto Ben Harper. Preço de dois ingressos? Impublicável.
    Megashows têm preços salgadíssimos. Shows mais intimistas também custam os olhos da cara em casas como o Bourbon Street, para quem gosta de jazz.
    Enquanto esse modelo de negócios não se ajusta, o jeito é pegar música emprestada ou ouvir o tal do http://blip.fm (e nesta semana ele andou claudicante por conta de tanto tráfego). Eu queria lembrar que no passado, quem não podia comprar os LPs ou compactos ia na casa do amigo e gravava uma rudimentar fita K-7. Ou ganhava de presente de aniversário. Hoje a internet tomou esse lugar, e a RIIA acredita que punindo o usuário comum que adere à troca de arquivos pela rede vai conseguir acabar com a suposta pirataria. Não é por aí. O Blip é a prova disso.

  12. Amiga Mary e caro Roberto,

    obrigado pelos comentários.

    Como diz a Mary-Jô esta é uma louca nau. São surpresas e mais surpresas. O Blip.fm é uma loucura muito interessante.

    E agora a “loucura” da Nokia. Resta saber como o mercado musical/fonográfico vai reagir.

    Um dos reflexos ruins da era da digitalização foi a diminuição de venda dos cds e o consequente aumento absurdo no preço dos ingressos dos shows.

    Há 8/10 anos era possível ver um bom show por 20 ou 30 dólares, em NY ou na Europa. Hoje, com essa grana vc não passa nem na porta do teatro. Sem contar que a máfia da venda de ingressos na net ainda te cobra 12 dólares para enviar por e-mail o ingresso.

    Quem não quer ver Leonard Cohen ao vivo? Mas a 80 Euros ? Aqui somos 2, eu e minha mulher. O programa não sai por menos de 200 Euros. Complicado.

    Por enquanto, vou no Flip e baixo uns Cohens por lá.

    Às vezes penso que os tempos são muito modernos ou eu sou moderno de menos.

    Olhem esta nota…Mary-Jô já conhece…

    http://www.picturapixel.com/blog/?p=8554

    Tem dois links muito interessantes por lá.

    Abraços digitais.

  13. Olá Mari, respondendo a sua pergunta, aquela foto das cores(http://www.flickr.com/photos/robertosena/sets/72157607435730241/) foi tirada no “Revelando São Paulo”de comidas típicas, que aliás, escreivi até um artigo sobre a mesma. dá uma olhadonha lá(http://sampameulugar.wordpress.com/2008/09/24/revelando-sao-paulo-2008-teve-seu-fim-nesse-ultimo-domingo/)

    Um grande abraço!

  14. Tem DRM, né? Então… ahn, quando a Amazon MP3 Store estréia no Brasil, hein?

  15. Roberto, pra mim é uma honra participar da sua relação de blogs amigos. Mesmo.
    Abraços digitais de Sampa.
    Mari-Jô Zilveti

  16. Olá Mari, fui até o picturapixel, e achei demais, mesmo! Até deixei um comentário! Assim, vou colocar seu blog na minha relação de blogs amigos, lá do Sampa Meu Lugar, ok?

  17. Henrique,
    eu recebi o material e li várias coisas por aí. O que você está me contando é muito sério. Sabia do contrato, mas não fazia idéia de que o celular tinha de “praticamente ser jogado fora”. Ou seja, terminado o prazo, não se pode mais baixar música. E o celular, que a empresa quer quer que sirva para acessar o seu conteúdo perde o sentido. Daí volta a ser um simples aparelho para fazer e receber ligações. Será? Vou checar, porque se for mesmo, corre o risco de ser um tiro no pé.
    Abraços,

  18. Humm, nós demos essa nota na Magnet

    O grande problema desse sistema é que, terminado o contrato, as músicas param de funcionar.

    E nao existe renovação de contrato: você tem que comprar OUTRO celular

    E baixar as músicas tudo de novo.

    Taí a pegadinha.

  19. fiquei sabendo desse projeto da Nokia, juntamente com o ‘Nokia Morph Concept’ (http://blogdosirmaos.wordpress.com/2008/08/25/nokia-morph-concept/) e tanto apple quanto microsoft estão com os dias contados. É a inovação tomando espaço sempre! Assim, gostei do seu álbum no Flickr, e tomei a liberdade de comentar! Um abraço!

    Roberto Sena
    http://www.blogdosirmaos.com
    http://www.sampameulugar.wordpress.com

  20. Well, Mario, você sacou a história! Enquanto os coleguinhas ficam falando dos specs e features do tal XpressMusic, se a tela sensível ao toque é da mesma tecnologia do iPhone ou dos celulares da HTC e todo aquele blablablá que os blogs noticiosos correm pra dizer se testaram ou não, lá vem mais um torpedo entre os fabricantes. O negócio deles todos agora é aliar conteúdo ao aparelho. Afinal, quem quer celular para falar? Música grátis? Sei, não. Vamos repetir o velho bordão: não há almoço de graça. Principalmente nessa indústria.

  21. Por que será que eu tenho a sensação de que este é um assunto muito importante que será relativamente ignorado pela mídia especializada até o instante do estouro?
    Te cuida, Apple, que só tirou o DRM das músicas por pressão externa e agora pode ter de enxugar seu modelo de negócio novamente.

  22. Interessante, muito interessante… A cada dia que passa, fico mais fã da Nokia. As pesquisas deles são as melhores e acho que eles conseguem mapear direitinho o que o consumidor deseja. Achei a jogada das músicas simplesmente ótima.
    E segue essa tendência toda das coisas serem “gratuitas” (em troca de uma assinatura, ou o que quer que seja): celular, carros smart, agora notebooks e música.
    Beijo!

  23. Pois é Pedro, a Nokia quer lançar o serviço de música gratuita nos EUA, o primeiro mercado. Eu quero ver a qualidade da música que será gratuita. Qualidade de conteúdo, porque essa brincadeira não é barata. E para que o conteúdo seja de primeira, o preço do celular não pode ser lá nas alturas.

  24. Pedro Marques

    já consigo até imaginar um título: (i)Phone kills the radio star

    A idéia é bem boa, e tem tdo para emplacar. Vamos ver oq acontece qdo o serviço for mesmo ao ar.