“I Just Called to Say I Love You” – celular no cenário do espaço público

"I just called to say I love you" © Motulz

Ilustração de Motulz para uma análise do celular na esfera do espaço público © Motulz

O escritor e romancista Jonathan Franzen faz um corte semiótico analisando o espaço público e seu declínio. Em seu ensaio I just called to say I love you”, (“Sem Pudor”“Sem pudor”, PDF do artigo traduzido por Clara Allain para o caderno Mais! da Folha de S.Paulo), o autor faz um paralelo interessante sobre o papel que o cigarro ocupava havia dez anos e que foi substituído pelo celular.

Vale a pena uma comparação entre as estratégias usadas pela indústria de tabaco e pela tecnologia móvel para chegar ao público.

E por que não pensar na cultura do automóvel? Aí vai um convite para refletir no paralelo entre o celular e o carro. Fica a sugestão da leitura do conto “La autopista del sur”, do escritor argentino Julio Cortázar, que narra pedestres motoristas e passageiros presos durante dias em um engarrafamento ao voltar para Paris após um final de semana no campo. Esse conto faz parte do livro “Todos os fogos o fogo”, publicado no Brasil pela Civilização Brasileira.

Blindness - Ensaio sobre a cegueira © Ken Woroner

Blindness - Ensaio sobre a cegueira © Ken Woroner

E para continuar nos links, “A auto-estrada do sul” talvez seja uma metáfora muito próxima de “Ensaio sobre a cegueira“, de José Saramago, que levanta igualmente a questão da civilização. Saramago escreveu e Fernando Meirelles o filmou. “Blindness” é polêmico, agradou e desagradou a críticos. Os autores deste blog gostaram. A escriba desta nota aqui o achou excelente. O livro de Saramago merece e deve ser lido. Idem para o filme de Meirelles.

10 Comentários

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10 Respostas para ““I Just Called to Say I Love You” – celular no cenário do espaço público

  1. Parabéns pela iniciativa.
    bjos.

    • Olá, tudo bem?

      Gostaria de apresentar a Sagarana – escritório de agenciamento de talentos.
      Nosso casting é composto de top models, atores, atletas e personalidades, além do top da Locução Lombardi SBT.
      Representamos, os atores globais e personalidades nacionais e internacionais em geral , intermediando a contratação e fazendo pesquisas de nomes para campanhas e eventos.

  2. Arimatéia

    Parabéns…
    Precisamos mesmo desmistificar o uso do celular. Para uns é um objeto quase espiritual.
    Para mim, por exemplo, um equipamento que encurta distâncias e traz praticidade.
    Logo deverá aparecer fobias ligadas a esse bixinho chamado “Celular”.

    Pax et Lux

  3. Manso

    É interessante, pq o celular é tratado como um ser humano mesmo, né! A gente o trata como um “filho” talvez! Quem já não chamou o seu celular de “guerreiro” por exemplo?! – ” meu celular é muito guerreiro…cai, molha e não acontece nada!” e eu ainda não vi ao Ensaio Sobre a Cegueira, q lástima!
    beijo, mary!
    Manso

  4. Vicente Gosciola

    Oi, Mari-Jô. Entendo como você que o cerne da discussão é a civilização que se esfarela em tempos de pós-pós-modernidade; afinal qual é a nova aposta do nosso processo civilizatório? A nossa desagregação como civilização? Não temos tempo para ver os parentes, os amigos, para o afeto desinteressado! Então o celular, ou qualquer outro meio de comunicação, pode ajudar? Não sei, mas pelo menos estamos tentando! Abraços. Vicente

  5. Osmar

    Oi Marijô!
    Obrigado pelo toque. Eu havia lido o texto do Franzen. E tenho também mais uma impressão: o celular transforma a pessoa em Deus: onipresente.
    Para a ElianeBR, o nome correto do filme em português é “Próxima Parada Bairro Boêmio”(Next Stop Greenwich Village) de 1976. Grande filme.
    abs. Osmar

  6. Mary. Gostei Muito do ensaio de Jonathan Franzen. Apesar de alguns “americanismos”, a comparação é inteligentíssima e ele expõe as idéias de uma forma muito clara. Dá a impressão de uma “epidemia de celular”. E se formos analisar, é o que acontece nos dias de hoje… aqui no Brasil, falta feijão em muita mesa mas todos os membros da família têm um telefone móvel e é claro uma telona pra ver a novela e os programas de “arranca-rabo” que passam à tarde! Eita.
    Estava em dúvida, mas depois da tua dica vou correndo pro cinema ver o “Ensaio sobre a Cegueira”.
    Beijos querida.

    Ana Vanilla

  7. É irônico, porque Franzen vem de uma cultura em que é mais aceitável exprimir afeto E a diferença entre “público” e “privado” é bem mais turva. Mas não deixa de ser bem universal.

  8. Sugiro acrescentar, como verdadeira obra prima em que o celular merece o Oscar de objeto-ator coadjuvante, o mais recente clássico de Woody Allen.
    Parabéns pelo blog!
    Bjs
    Gilson

  9. Mari-Jô,
    acabei de ler o texto de Franzen e lhe agradeço por tê-lo postado.
    E um texto muito interessante. Como nao tenho nem televisao nem celular, você pode imaginar que me identifiquei com o autor de imediato. Mas, à medida que o texto corria e ele começava a falar dos pais, comecei a me irritar. De fato, a maneira americana ( e inglesa) de escrever ensaios, com uma dose de pessoalidade tal que o leitor se sente proximo do locutor é eficaz. Eficacissima. Mas parece cinica quando o tema do texto em questao é justamente a separaçao entre publico e privado. Dizer “eu te amo” ao telefone parece menos exibido que contar ao publico em geral como eram as relaçoes pessoais entre seus pais. Fiquei pensando em “Proxima parada, Village” (nao sei o titulo em inglês) com o filho sem saber o que fazer com uma mae judia transbordante de afeto. A coisa foi me irritando até à “chute” final, magistral. Nao é um artigo, é um conto. Nao é um universitario é um escritor.
    Um beijo
    Eliana