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Mais aparelhos 3G no Brasil

Reprodução: Teleco

Reprodução: Teleco

Pode não ser muito, mas os dispositivos 3G representam 2,95% do total de aparelhos celulares no Brasil. Os dados, compilados pelo site Teleco, a partir de levantamento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), indicam que em abril desse ano a base instalada no País alcançou 4,9 milhões de dispositivos.

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Banda larga para todos

Quênia: educação à distância para 850 alunos © www.safaricom.co.ke

Quênia: educação à distância para 850 alunos © http://www.safaricom.co.ke

Por Luiz Fernando Santos

3G é a nova fronteira de democratização da informação no mundo

Tão importante quanto a saúde ou a educação, o acesso à banda larga será decisivo para participação e desenvolvimento de cada indivíduo nas sociedades do século 21. Mais ainda. Em países como o Brasil, a banda larga móvel deverá ser o principal meio pelo qual a população terá acesso à rede mundial de computadores. Essa estimativa é de Ricardo Tavares, executivo da GSM Association, entidade global que representa mais de 750 operadoras móveis GSM em 218 países e territórios.

Vice-presidente para políticas públicas e regulação de mercados emergentes, Tavares possui uma visão privilegiada do fenômeno de acesso à web via celular, tanto para voz quanto para dados, em todos os países em desenvolvimento. Afinal, apenas os membros da associação representam mais de 3 bilhões de conexões GSM e 3GSM – algo da ordem de 86% das ligações de telefonia móvel em todo o mundo.

No caso brasileiro, Tavares considera que o 3G já é um sucesso. De novembro de 2007 a novembro de 2008, a base instalada atingiu 500 mil usuários de 3G/HSPA, que ao todo concentrava até o final do ano passado mais de 2 milhões de usuários.
“O HSPA que é hoje a principal tecnologia 3G no mundo e vai continuar evoluindo para permitir velocidades de até 50 Mbps (Megabits por segundo).” Ao mesmo tempo, Tavares alerta que existe um grande desafio para as operadoras. Ele observa que a demanda está acima do que inicialmente as empresas previam, por conta do fenômeno da demanda reprimida por banda larga.
“Essa demanda reprimida é muito parecida quando a telefonia celular chegou ao país e criou um mercado de massa de acesso a voz. Agora existe uma demanda reprimida por banda larga que é muito alta.”

Phone Use Shared Essay © Jan Chipchase
Phone Use Shared Essay © Jan Chipchase

www.janchipchase.com/blog/archives/uganda/kampala/

INVESTIMENTOS E REGULAÇÃO DO MERCADO – Para o executivo, portanto, a grande questão que se coloca é: como expandir o serviço? Na opinião de Tavares, é essencial discutir a criação de incentivos regulatórios para a expansão da banda larga móvel, uma vez que são os custos de regulação que, muitas vezes, “interfere na habilidade das operadoras em oferecer o serviço que o governo gostaria que a sociedade recebesse”.

Esses incentivos dizem não só respeito às leis específicas, mas a modelos de negócios que passam a ser criados e incentivados. O ponto de tensão, esclarece Tavares, é a regulação de conteúdos. Ele considera que atualmente uma proposta importante encontra-se em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 29. Na percepção de Tavares, a PL-29, como ficou conhecida a proposta, tenta estimular a produção de conteúdo audiovisual no Brasil e colocar novos participantes nesse mercado, além de contemplar algumas das necessidades regulatórias do setor de telecomunicações.

“Ao mesmo tempo o projeto dá importantes garantias aos radiodifusores de que o modelo de negócios atual vai continuar se manter no futuro. Esse projeto tenta criar um acordo que contemple as diferentes partes e que pode ajudar o setor por mais cinco anos. Mas dentro desse espaço de tempo, certamente, terá de se rediscutido.”

BOA INICIATIVA  – Tavares elogia a iniciativa do governo brasileiro por ocasião do leilão de 3G, em dezembro de 2007. Um dos requerimentos, aponta Tavares, foi o comprometimento das operadoras em expandir o sinal GSM para as áreas rurais. “Mas o modelo de negócios não funciona assim. É preciso, primeiro, criar escala para depois poder atuar nas áreas ruais.”

Mas de qualquer forma, Tavares reconhece que um fato que deverá ter grande impacto para o desenvolvimento para a banda larga móvel foi o acordo do governo brasileiro com as companhias de telefonia fixa. Dentro da proposta, foi negociado em vez da criação de postos de atendimento em todas as cidades, um custo elevado para as operadoras e de pouco resultado para o consumidor, a  extensão da infra-estrutura de telefonia fixa e móvel, o que envolve fibras ópticas e conexões sem fio ponto-a -ponto, para escolas e hospitais. “O impacto desse acordo vai ser muito positivo para o desenvolvimento da banda larga móvel no País.”

INVESTIMENTOS E REGULAÇÃO DO MERCADO – Para o executivo, portanto, a grande questão que se coloca é: como expandir o serviço? Na opinião de Tavares é essencial discutir a criação de incentivos regulatórios para a expansão da banda larga móvel, uma vez que são os custos de regulação que, muitas vezes, “interfere na habilidade das operadoras em oferecer o serviço que o governo gostaria que a sociedade recebesse”.
Esses incentivos dizem não só respeito às leis específicas, mas a modelos de negócios que passam a ser criados e incentivados. O ponto de tensão, esclarece Tavares, é a regulação de conteúdos. Ele considera que atualmente uma proposta importante encontra-se em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 29. Na percepção de Tavares, a PL-29, como ficou conhecida a proposta, tenta estimular a produção de conteúdo audiovisual no Brasil e colocar novos participantes nesse mercado, além de contemplar algumas das necessidades regulatórias do setor de telecomunicações.
“Ao mesmo tempo o projeto dá importantes garantias aos radiodifusores de que o modelo de negócios atual vai continuar se manter no futuro. Esse projeto tenta criar um acordo que contemple as diferentes partes e que pode ajudar o setor por mais cinco anos. Mas dentro desse espaço de tempo, certamente, terá de se rediscutido.”
BOA INICIATIVA
Ele elogia a iniciativa do governo brasileiro por ocasião do leilão de 3G, em dezembro de 2007. Um dos requerimentos, aponta Tavares, foi o comprometimento das operadoras em expandir o sinal GSM para as áreas rurais. “Mas o modelo de negócios não funciona assim. É preciso, primeiro, criar escala para depois poder atuar nas áreas ruais.”
Mas de qualquer forma, Tavares reconhece que um fato que deverá ter grande impacto para o desenvolvimento para a banda larga móvel foi o acordo do governo brasileiro com as companhias de telefonia fixa. Dentro da proposta, foi negociado em vez da criação de postos de atendimento em todas as cidades, um custo elevado para as operadoras e de pouco resultado para o consumidor, a  extensão da infra-estrutura de telefonia fixa e móvel, o que envolve fibras ópticas e conexões sem fio ponto-a -ponto, para escolas e hospitais. “O impacto desse acordo vai ser muito positivo para o desenvolvimento da banda larga móvel no País.”

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A vida celular

O que seria um prosaico ato cotidiano, a comunicação remota com base em telefonia móvel, é na verdade um elemento de transformação das relações entre governo, mercado e sociedade. Nesse cenário são mobilizadas forças tecnológicas, industriais e econômicas e trazem mudanças estruturais no comportamento e relacionamento humano.

A discussão desse ambiente e seus impactos nas diversas esferas da sociedade é o mote do Mobile Life Events, que acontece de 15 a 19 de setembro no balneário de Antalya, na Turquia.

Dois eventos paralelos marcam o encontro: o mSociety 2008 _ International Conferences on Mobile Society e o EURO mGOV 2008 _ European Conference on Mobile Government.

No caso do segmento mSociety 2008, o que se encontra em foco são os fenômenos de uma sociedade cada vez mais organizada e regida por redes digitais, telefones celulares e outros dispositivos móveis. A ambição desse fórum é ser um ambiente de convergência de idéias, aplicações e serviços em uma sociedade pautada pela mobilidade.

Atenção pesquisadores: enviem seus papers para a organização, que está aberta à produção tanto de pesquisadores de universidades e centros de pesquisa.

Já o EURO mGOV 2008 irá reunir representantes do setor público, para compartilhar suas experiências além de discutir a implementação de serviços públicos baseados em tecnologia móvel. O conceito de Mobile Government envolve novas abordagens para modernização do setor público no continente europeu pela utilização das tecnologias móveis por diversos órgãos de governo.

Entre os parceiros e patrocinadores do evento estão grandes companhias de tecnologia, telefonia, universidades e centros de estudo.

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nômades da motocicleta

fluxos velozes em duas rodas, encapuçados pela viseira do capacete, cruzam, quase autônomos, às vezes selvagens, o inteligível caos das grandes metrópoles: Buenos Aires, Rio de Janeiro, Cidade do México, São Paulo…

nômades movimentados pela logística organizacional das redes de negócios, empresas e pessoas, na qual velocidade e mobilidade são imperativos, os motoboys encontraram no celular, mais do que uma ferramenta de comunicação, um instrumento de expressão estética e plataforma capaz de potencializar um outro negócio dentro da sua atividade primária como andarilhos urbanos.

mais do que uma subcultura de grupo, com valorização de atitudes e códigos próprios, uma experiência iniciada em São Paulo vem compondo um dos fenômenos de cybercultura dentro do qual esses trabalhadores têm uma inserção. canal*Motoboy é um coletivo formado por esses profissionais que inserem um conjunto de narrativas no território da expressão artística, geradas a partir das vivências e do olhar de cada um dos integrantes do grupo-rede.

mas do que falam essas pessoas? qual é exatamente a sua perspectiva? no limite, caberia mesmo a pergunta de Eleilson Leite, se existe de fato uma cultura motoboy, no artigo “A revolução cultural dos motoboys”, publicada no Le Monde Diplomatique Brasil.

ao abordar o tema, fugindo dos estereótipos e preconceitos comuns, o autor aponta a dura realidade desse grupo estimado em 300 mil motociclistas, apenas na capital paulistana.

um novo domínio do território
menos importante do que a cultura de grupo, a expressão do conjunto de singularidades por diferentes canais de manifestação estética é o ponto central da questão. essa dinâmica ficou marcada na 1ª Semana de Cultura Motoboy, que teve espaço no Centro Cultural Popular da Consolação (CCPC), em São Paulo, entre 12 e 17 de maio.

o canal*Motoboy nasceu de uma experiência do artista espanhol Antoni Abad, que passou por São Paulo em 2007 e estimulou a criação de um grupo com 12 motoqueiros para que eles, através de celulares com câmeras integradas, produzissem fotos, vídeos e entrevistas contando o dia-a-dia na capital paulista, relata Eliezer Muniz dos Santos, curador da mostra.

Depoimento gravado com Nokia 6110 Navigator e editado no Windows Movie Maker

o próprio Eliezer conhece de perto a realidade sobre a qual se debruça hoje como pesquisador, mas que experienciou por mais de 15 anos como profissional.

essa apropriação dos motoboys do seu próprio cotidiano, agora deslocado em uma abordagem estética, reflete bem a dinâmica de fluidez contemporânea, em uma dinâmica que o pesquisador da UFBA, André Lemos, analisa no artigo Ciberespaço e Tecnologias Móveis.

Luiz Fernando Santos

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