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O papel do Twitter no jornalismo

Foto @alexgregianin

Começo da tarde de ontem, um aviso pelo Twitter. @alexgregianin, do seu iPhone, assustado posta que esfaquearam um cliente na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Ele tentou fotografar, mas foi barrado no baile por dois seguranças. Em poucos minutos, sua tuitada se espalhara na tuitosfera. Até aí, nada de novo. Meia hora depois, às 15h15, o jornal eletrônico eBand parecia ter checado mais informações. Não era faca, mas um taco de golfe, corrigido mais tarde para outro instrumento. Enquanto isso, os tuiteiros já colocavam links com uma das primeiras versões: “@tiagooliveira: RT @jampa: Não foi faca. Pior: taco de golfe em briga entre clientes. Pode? http://ow.ly/OiYu (via @zilveti) Quem briga com taco de golfe?”

twittersearch

Ao longo do dia, mais versões atualizadas foram colocadas no ar em outros portais de notícias e chegou-se à conclusão que se tratava de um taco de beisebol. O agressor: Alessandre Fernando Aleixo. A vítima: o designer Henrique de Carvalho Pereira.

Nada como checar a informação, não é mesmo? – Como ainda faço parte da geração que assina jornal no papel, vício do qual ainda não consegui me livrar, recebi o Estadão hoje cedo e lá fui ler mais (com essa assinatura, volto ao computador e leio a versão digital, menos sujeira nas mãos). Havia foto do agressor e seu histórico familiar. Sua mãe, Judith Machado Aleixo, chegara no final do dia à delegacia. Nos jornais online do Estadão, R7, G1 e quetais, as informações estavam todas corrigidas. Aliás, hoje pela manhã, já se sabia nos portais que a vítima passava pela segunda cirurgia e que seu estado de saúde seguia grave.

À noite, a TV, com imagens do agressor, juntava-se ao noticiário online.

O que importa aqui é que o Twitter serviu de impulso. Um cliente, no caso @alexgregianin, estava na Cultura e viu o cliente ensanguentado. Em minutos, os jornais online foram atrás da informação. Corrigiram, checaram e todo mundo ficou sabendo que o agressor tem problemas mentais.

E quem, feito eu, ainda insiste em ler no papel, aí vai o PDF com a notícia, nomes do agressor, a vítima, a mãe do agressor, depoimento da polícia e tudo mais.

O papel do Twitter no jornalismo

Com direito à foto do agressor e anúncio de quase página inteira.

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Redes sociais: o que estudantes querem

A pesquisa revela dados interessantes: 70% dos estudantes entrevistados são contra o uso de redes sociais (Twitter ou Facebook) por empregadores. O levantamento foi realizado para TMP Worldwide e Targetjobs, que concluíram que estudantes em busca de trabalho não querem que essas agências lhes “vendam” empregos. Acreditam ainda que “empregadores não deveriam explorar redes sociais para seu benefício próprio”.

O estudo mostra, no entanto, que 79% dos entrevistados consideram as redes sociais elementos-chave para que os empregadores entrem em contato com os interessados.

Segundo a pesquisa, estudantes usam bastante redes sociais para pesquisar empresas e checar se as mensagens dos empregadores são realidade. O estudo detectou que quase metade dos estudantes utilizam redes sociais para bater papo com seus pares no processo de recrutamento.

Mais: cerca de 30% dos entrevistados conversam com os empregados de empresas para checar se suas expectativas no trabalho foram atendidas.

Vale a pena ler o restante em inglês em The Economic Times, a partir de onde o texto acima foi traduzido.

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Redes sociais x jornalismo ou redes + jornalismo?

A convite dos professores Squirra e Fabio Josgrilberg, ontem fiz a palestra “Twitter: jornalismo em xeque? Redes sociais alteram rumos de apuração e publicação da notícia“. Na sala, decidi subverter a ordem e comecei por questionar os cerca de 20 alunos sobre o papel das redes sociais, lembrando que as redes na web nada mais são do que uma extensão das nossas redes cotidianas.

A palestra foi gravada e estará disponível no site do programa de pós-graduação em comunicação da Universidade Metodista. Assim que o link for enviado, publico um adenddus.

Por ora, feel yourself comfortable para baixar o arquivo em ppt, visitar o blog do pesquisador Josgrilberg e segui-lo no Twitter. O professor e pesquisador Sebastião Squirra também está no Twitter. Aliás, está inscrito em todas as redes sociais.

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Parem as máquinas – twitaram a notícia

Stop the presses - the death of the newspaper industry

Stop the presses - the death of the newspaper industry

Li no Facebook da Luciana Moherdaui, que retuitara o filósofo e pesquisador  Pierre Levy. É indiscutível. Aliás, ouve-se falar que a mídia impressa estava com os dias contados desde priscas eras, quase pré-internet. Um dos autores dessa máxima era Bill Gates, o fundador da Microsoft, que vaticinara em seu livro A Estada do Futuro (1995; Companhia das Letras), que em 2000 não haveria mais bancas para vender publicações em papel.
Ao passear por bancas, vê-se exatamente o contrário, no Brasil, nos EUA ou em alguns dos países da Europa. Essas publicações dependem diretamente de anunciantes que ainda querem ver seus produtos repercutidos pela mídia. Pagam páginas de anúncios, cobrados a peso de ouro pelas agências que os produzem, os jornalistas experimentam os produtos (vale desde computador e celular, passando por cosméticos e automóveis, a filosofia e literatura) e o balizam. Pronto, a publicação chega às bancas ou é entregue na portaria do leitor. Será ainda jornalismo? Dizem por aí que é o tal do jornalismo de serviço. Mas pode também ser uma mídia de relacionamento: traduzindo, o anunciante compra a publicação para falar com o seu leitor.

Só quero destacar que acredito piamente que a geração de 20 anos já não consome informação pelo papel. Não lê o jornal que os pais recebem em casa. Tudo chega pela tela do computador ou pela telinha do celular. Pergunte a um garoto classe média, que estuda cinema na Faap ou história na PUC ou engenharia na Poli ou Comunicação na ECO – UFRJ ou em algum outro canto destas plagas. No máximo, você vai encontrar algum que lê jornal gratuito distribuído em semáforos ou entradas de estações de metrô. Por sinal, eles vivem fechando redações na Europa. O Metro foi um deles que encerrou suas atividades na Espanha.

O lugar do papel na história pode estar a caminho do museu, tal qual o pergaminho. As evidências de que o papel está em crise devem ser conferidas em The Death of Newspaper. As fontes, pelo menos, são críveis: Bloomberg e da NAA (Newspaper Association of America).

As empresas de comunicação estão de olho na web há um bom tempo. Recentemente Silvio Genesini largou a presidência da Oracle para ocupar o cargo de CEO no grupo Estado. Seu discurso é todo permeado na aposta na transição para o meio digital.

DE OLHO NA PLATAFORMA DIGITAL – No PropMark, o jornalista Paulo Macedo escreveu: “Contemplar o digital não significa que o papel está por um fio, nem que a internet será igual no futuro como se conhece hoje”.  Para o presidente do Grupo Estado, a interatividade é imprescindível.

RESTA SABER – se as redes sociais vão engolir de vez o atual conceito dos portais de notícias. Essa é a aposta de Luciana Moherdaui, jornalista e doutoranda pela PUC-SP, autora do blog Contra a Clicagem Burra.

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Email na nuvem, perdida – Gmail fail ou Dã pra quem confia em apenas um provedor

Gmail fail - falha no Gmail

Gmail fail - falha no Gmail

Dãrzona diriam minhas duas filhas. Quem mandou confiar só no Gmail? Pior: todas minhas contas de email estão direcionadas para esse provedor.

Dá pra tomar um café na esquina? Dá. Mas se você usa o Gmail como um disco rígido ou nuvem para guardar todo o material de trabalho, o que fazer depois de voltar da rua? Senta e chora?

Gmail Fail até no iGoogle

Gmail Fail até no iGoogle

O iGoogle é uma solução? Foi o que disseram no Twitter. Por ora, em lugar algum. O que dá pra fazer é visualizar sua caixa de entrada, ver quem cobra mensagens ou respostas.

Sinto-me sem teto, sem chão. Quem sabe Blue Man Group na veia mais tarde para me animar.

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Furo! Última hora! Jornal dá pinta e publica copy & paste da internet

Quando jornalismo copia e cola da web

Quando jornalismo copia e cola da web

A notícia veio do meio mais rápido que, por ora, vingou na rede. O Twitter. Quem começou foi a estudante de jornalismo Luisa Benozzati e coautora do Modifique-se. Dona da conta @lulubass, ela postou ao jornalista Mauricio Stycer, @mauriciostycer, avisando-o.
Stycer, por sua vez, replicou “@mauriciostycerNovidade: quando o jornal faz copy & paste na Internet. (dica da@lulubasshttp://tiny.cc/9DtVR

Não resisti e fiz um link com outro encurtador de URLs, o Hootsuite.com. Creditei as duas fontes de onde saiu a informação e larguei na minha conta do Twitter: “@zilveti Furo! Urgente! Jornal dá na pinta e publica copy & paste da internet. via @mauriciostycer @lulubasshttp://ow.ly/n03d #jornalismo #web“.

O assunto rende, é claro. Afinal, não é o papel impresso que se encarrega de dizer que a internet copia e cola? Nada como um escorregão. Em minutos, havia leitores retuitando o que Stycer e Benozzati haviam escrito. Na minha conta repetiu-se a retuitagem [que, em outras palavras, quer dizer replicar].

Pouco tempo depois, antes de largar a tela do computador e ir pra rua com acesso à web móvel, achei que era necessário repetir mais uma vez: “@zilveti: rtépreciso Furo! Últimas Jornal dá pinta e publica copy & paste da internet. via @mauriciostycer @lulubass http://ow.ly/n5wD #jornalismo“.

As estatísticas do jornalismo copy & paste

As estatísticas do jornalismo copy & paste

Desta vez, não sei se por ser no final da tarde, o link registrou um número de acessos bem maior. Desde que optei pelo Hootsuite, tenho condições de aferir os números de cliques a links, os dez mais, por região etc. etc. Até aí, nenhuma novidade, pois há vários serviços de encurtadores de URLs (os endereços de uma página ou domínio) que oferecem esses recursos.

Noves fora, a URL http://ow.ly/n5wD registrou em menos de 24 horas 985 cliques, segundo o Hootsuite. Foi a vingança da blogosfera, dos internautas, do mundo de zeros e uns? Não sei ao certo o que motivou tanta gente a replicar o twitter.

De uma coisa todos podem ter certeza. O papel jornal aceita tudo. Até quando um redator comete um equívoco e, literalmente, copia e cola a informação da não tão assim efêmera web, deixando provas.

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internet sem fio – ou o que os americanos do norte estão fazendo

a zona do Wi Fi

a zona do Wi Fi

internet sem fio. Até parece blablablá, repeteco, mas é sempre bom bater nessa tecla. Às estatísticas para quem ainda acredita nelas. Um estudo realizado pela Pew Internet & American Life Project, publicado em 22 de julho, constata:

  • 56% dos norte-americanos acionaram a internet sem o uso de fios, em suma, com laptops conectados a redes Wi-Fi, celulares, consoles de game ou MP3
  • Do total de usuários que acessam redes wireless, 39% entram por seus laptops
  • Um terço dos americanos preferiu navegar pela rede a partir de smartphones para enviar emails, mensagens de programas como MSN ou para fazer pesquisas

Vale lembrar que em dezembro de 2007, 24% dos americanos haviam acessado a rede  por celulares.

Hoje, quase um quinto dos americanos usam a web a partir de seus telefones, alta considerável, uma vez que em dezembro de 2007, registrou-se 11%. Segundo o órgão houve alta de 73% em 16 meses, intervalo entre as duas pesquisas.

Como funciona – O relatório baseia-se em dados a partir de entrevistas por telefone realizadas pelo Princeton Survey Research International entre os dias 26 de março e 19 de abril de 2009 com 2.253 pessoas com mais de 18 anos.  A margem de erro é de 2,4% para cima e para baixo.

Em inglês – Quer ler mais? Na íntegra, o estudo completo em PDF exatamente aqui.

Parafraseando um grande amigo, penso, logo, insisto. No Brasil, wireless custa quanto mesmo?  Às contas: de graça, onde mesmo? Só se for a doceria de Ribeirão Preto da minha querida Marta Opipari ou algum gentil restaurante que quiser atrair a clientela. De resto, o dono de um computador portátil, o tal do netbook ou notebook, tem de pagar a um provedor 50 pilas por mês. Se for 3G, that means, de um chip de operadora, via seu celular ou instalado no seu notebook, a mensalidade varia de R$ 60 a R$ 100. Barato? Só se for o marido da barata.

Mas chega de reclamar – O dono de um iPhone ou de um smpartphone Nokia, Samsung, BlackBerry etc. etc. sabe que é preciso contratar o serviço de um UOL, Terra, iG ou Vex. E se não quiser depender de um hotel ou cibercafé, vai  ter de escolher uma operadora: em ordem alfabética, Claro, Oi, Tim ou Vivo.

Mobilidade é isso aí. Minha santa mãe costuma dizer: “Quien quiere celeste que le cueste“.

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Celulares para as massas

Crescimento nas vendas de celulares de baixo © Juniper Research

Crescimento nas vendas de celulares de baixo © Juniper Research

Pesquisa do instituto Juniper Research revela que, entre 2009 e 2014, o faturamento anual em vendas de celulares de baixo custo crescerá 22%, sobre a atual base de 700 milhões de unidades, nos países emergentes. Operadoras e fabricantes estão de olho nesses mercados para dar uma mordida caprichada nessa fatia do bolo, e o aparelho de baixo custo é imprescindível para matar essa insaciável gula.

Os gigantes desse setor, que oferecem aparelhos e serviços a menos de US$ 5,  já estão colhendo os frutos em países como Bangladesh, Paquistão e Índia. A Nokia, por exemplo, começou a desenvolver conteúdo gratuito para estimular quem compra seu primeiro celular a mantê-lo em uso.

O estudo da Juniper aponta as operações  dos fabricantes e operadoras em regiões para “Conectar os Desconectados” e para países com grande número de usuários, mas com orçamento apertado para a compra de um celular. A pesquisa faz uma previsão de seis anos em oito regiões do planeta, projetando o crescimento de telefonia móvel em várias tecnologias (2G, 3G, 3,5G e 3,9G), vendas anuais e taxa de assinaturas até 2014.

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Banda larga para todos

Quênia: educação à distância para 850 alunos © www.safaricom.co.ke

Quênia: educação à distância para 850 alunos © http://www.safaricom.co.ke

Por Luiz Fernando Santos

3G é a nova fronteira de democratização da informação no mundo

Tão importante quanto a saúde ou a educação, o acesso à banda larga será decisivo para participação e desenvolvimento de cada indivíduo nas sociedades do século 21. Mais ainda. Em países como o Brasil, a banda larga móvel deverá ser o principal meio pelo qual a população terá acesso à rede mundial de computadores. Essa estimativa é de Ricardo Tavares, executivo da GSM Association, entidade global que representa mais de 750 operadoras móveis GSM em 218 países e territórios.

Vice-presidente para políticas públicas e regulação de mercados emergentes, Tavares possui uma visão privilegiada do fenômeno de acesso à web via celular, tanto para voz quanto para dados, em todos os países em desenvolvimento. Afinal, apenas os membros da associação representam mais de 3 bilhões de conexões GSM e 3GSM – algo da ordem de 86% das ligações de telefonia móvel em todo o mundo.

No caso brasileiro, Tavares considera que o 3G já é um sucesso. De novembro de 2007 a novembro de 2008, a base instalada atingiu 500 mil usuários de 3G/HSPA, que ao todo concentrava até o final do ano passado mais de 2 milhões de usuários.
“O HSPA que é hoje a principal tecnologia 3G no mundo e vai continuar evoluindo para permitir velocidades de até 50 Mbps (Megabits por segundo).” Ao mesmo tempo, Tavares alerta que existe um grande desafio para as operadoras. Ele observa que a demanda está acima do que inicialmente as empresas previam, por conta do fenômeno da demanda reprimida por banda larga.
“Essa demanda reprimida é muito parecida quando a telefonia celular chegou ao país e criou um mercado de massa de acesso a voz. Agora existe uma demanda reprimida por banda larga que é muito alta.”

Phone Use Shared Essay © Jan Chipchase
Phone Use Shared Essay © Jan Chipchase

www.janchipchase.com/blog/archives/uganda/kampala/

INVESTIMENTOS E REGULAÇÃO DO MERCADO – Para o executivo, portanto, a grande questão que se coloca é: como expandir o serviço? Na opinião de Tavares, é essencial discutir a criação de incentivos regulatórios para a expansão da banda larga móvel, uma vez que são os custos de regulação que, muitas vezes, “interfere na habilidade das operadoras em oferecer o serviço que o governo gostaria que a sociedade recebesse”.

Esses incentivos dizem não só respeito às leis específicas, mas a modelos de negócios que passam a ser criados e incentivados. O ponto de tensão, esclarece Tavares, é a regulação de conteúdos. Ele considera que atualmente uma proposta importante encontra-se em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 29. Na percepção de Tavares, a PL-29, como ficou conhecida a proposta, tenta estimular a produção de conteúdo audiovisual no Brasil e colocar novos participantes nesse mercado, além de contemplar algumas das necessidades regulatórias do setor de telecomunicações.

“Ao mesmo tempo o projeto dá importantes garantias aos radiodifusores de que o modelo de negócios atual vai continuar se manter no futuro. Esse projeto tenta criar um acordo que contemple as diferentes partes e que pode ajudar o setor por mais cinco anos. Mas dentro desse espaço de tempo, certamente, terá de se rediscutido.”

BOA INICIATIVA  – Tavares elogia a iniciativa do governo brasileiro por ocasião do leilão de 3G, em dezembro de 2007. Um dos requerimentos, aponta Tavares, foi o comprometimento das operadoras em expandir o sinal GSM para as áreas rurais. “Mas o modelo de negócios não funciona assim. É preciso, primeiro, criar escala para depois poder atuar nas áreas ruais.”

Mas de qualquer forma, Tavares reconhece que um fato que deverá ter grande impacto para o desenvolvimento para a banda larga móvel foi o acordo do governo brasileiro com as companhias de telefonia fixa. Dentro da proposta, foi negociado em vez da criação de postos de atendimento em todas as cidades, um custo elevado para as operadoras e de pouco resultado para o consumidor, a  extensão da infra-estrutura de telefonia fixa e móvel, o que envolve fibras ópticas e conexões sem fio ponto-a -ponto, para escolas e hospitais. “O impacto desse acordo vai ser muito positivo para o desenvolvimento da banda larga móvel no País.”

INVESTIMENTOS E REGULAÇÃO DO MERCADO – Para o executivo, portanto, a grande questão que se coloca é: como expandir o serviço? Na opinião de Tavares é essencial discutir a criação de incentivos regulatórios para a expansão da banda larga móvel, uma vez que são os custos de regulação que, muitas vezes, “interfere na habilidade das operadoras em oferecer o serviço que o governo gostaria que a sociedade recebesse”.
Esses incentivos dizem não só respeito às leis específicas, mas a modelos de negócios que passam a ser criados e incentivados. O ponto de tensão, esclarece Tavares, é a regulação de conteúdos. Ele considera que atualmente uma proposta importante encontra-se em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 29. Na percepção de Tavares, a PL-29, como ficou conhecida a proposta, tenta estimular a produção de conteúdo audiovisual no Brasil e colocar novos participantes nesse mercado, além de contemplar algumas das necessidades regulatórias do setor de telecomunicações.
“Ao mesmo tempo o projeto dá importantes garantias aos radiodifusores de que o modelo de negócios atual vai continuar se manter no futuro. Esse projeto tenta criar um acordo que contemple as diferentes partes e que pode ajudar o setor por mais cinco anos. Mas dentro desse espaço de tempo, certamente, terá de se rediscutido.”
BOA INICIATIVA
Ele elogia a iniciativa do governo brasileiro por ocasião do leilão de 3G, em dezembro de 2007. Um dos requerimentos, aponta Tavares, foi o comprometimento das operadoras em expandir o sinal GSM para as áreas rurais. “Mas o modelo de negócios não funciona assim. É preciso, primeiro, criar escala para depois poder atuar nas áreas ruais.”
Mas de qualquer forma, Tavares reconhece que um fato que deverá ter grande impacto para o desenvolvimento para a banda larga móvel foi o acordo do governo brasileiro com as companhias de telefonia fixa. Dentro da proposta, foi negociado em vez da criação de postos de atendimento em todas as cidades, um custo elevado para as operadoras e de pouco resultado para o consumidor, a  extensão da infra-estrutura de telefonia fixa e móvel, o que envolve fibras ópticas e conexões sem fio ponto-a -ponto, para escolas e hospitais. “O impacto desse acordo vai ser muito positivo para o desenvolvimento da banda larga móvel no País.”

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iPhone ou Nokia 5800: qual você quer?

Nokia 5899 XpressMusic com 3,6 milhões de canções

Nokia 5800 XpressMusic com 3,6 milhões de canções

iPhone 3G para ouvir música via computador

iPhone 3G para ouvir música transferida pelo computador

Pergunta rápida: é melhor comprar um iPhone 3G por R$ 900 + plano de dados a R$ 30 + plano de 120 minutos, sem direito a música, ou um Nokia 5800 por R$ 400 + plano de dados a R$ 49,90 por um ano + plano de 120 minutos e com direito a baixar 3,6 milhões de músicas sem pagar mais nada por um ano? A comparação, a princípio, parece esquisita, afinal são dois aparelhos com perfis diferentes de público, o da Apple, voltado para a faixa etária entre 25 e 35 anos, e o da Nokia, a partir de 18 anos

Em comum, tela sensível ao toque, acesso à web sem fio, mapas com GPS e grande espaço para guardar milhares de música.

O iPhone já conquistou hordas de usuários. A Nokia divulgou, em meados de abril, a marca de 1 milhão de 5800 XpressMusic vendidos mundialmente.

O celular da Apple não permite que o consumidor brasileiro compre músicas pela Apple Store. O da Nokia foi lançado no dia 28 pela TIM para que o usuário baixe canções por um ano pelo computador ou pelo celular.

Outra pergunta: quem usa celular para ouvir música tem alguma noção do que é legal ou ilegal? A Apple praticamente acabou com a indústria fonográfica ao oferecer canções a US$ 0,99, mas essa modalidade de negócio somente funciona no hemisfério norte.  A Nokia lançou um desafio ao mercado nacional. A campanha de marketing da empresa está baseada em quatro pilares, um deles é a educação do consumidor, que, ao abrir seu celular e inserir o código PIN, terá um mundo de 3,6 milhões de músicas espalhadas em 18 gêneros.

A julgar pela molecada que, ao começar a andar, pega o celular para tirar uma foto, e, aos sete anos, fala em download com tanta intimidade, resta esperar. E acreditar em duendes. Ou bruxas ou papai-noel. A escolher.

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Quando o Twitter vira complemento do blog

Twitter, a bola da vez

Twitter, a bola da vez

O Twitter está matando os blogs? Que tal pensar essa ferramenta de frases de no máximo 140 caracteres como um complemento aos blogs. Aliás, não é novidade alguma. Há mais de dois anos, blogueiros e agências de publicidade já conseguiram criar códigos para inserir o Twitter e o Flickr em blogs.

Na São Paulo Fashion Week de janeiro passado, a agência Click já tinha inovado com o Twitter e o Flickr para fazer uma cobertura do evento ao longo da semana com o Fiat Fashion Innovation Atitude. Ideia simples: contratar especialistas no mundo da moda, de preferência blogueiros ou blogueiras. De quebra, dois publicitários da agência mandavam seus comentários via Twitter pelos seus celulares. As fotos subiam com rapidez, os blogueiros cobriam os desfiles e os publicitários faziam seus comentários em 140 caracteres.

Resultado da ação? Um sucesso, e dez a zero em relação à cobertura oficial do evento e de outros blogs e sites de notícias sobre o São Paulo Fashion Week. Nada contra os profissionais que cobriram esse acontecimento que movimenta a economia, a mídia, turismo etc.,  afinal todos sabem fazer o seu trabalho, mas o blog que aliava Twitter e Flickr, um dos patrocinadores do evento, que, por sinal, era a Fiat com um modelo de carro, ganhou em agilidade.

Em menos de um mês, em 2008, fui convidada para cobrir a primeira edição da Campus Party para um portal de notícias. Assim que sugeri que se fizesse esse “mashup”, jargão utilizado na blogosfera, torceram o nariz. Em uma estrutura de um portal de notícias e conteúdo, criar um blog que reunisse mais duas ferramentas parecia algo estratosférico. Não era. Qualquer um poderia fazer.

Eu que manjo pouco e não tenho paciência para html, já tratei de incluir o Twitter e o Flickr neste modesto blog na mesma época. O Campus Party aconteceu, a mídia tradicional não deu bola no primeiro dia, e o evento explodiu ao longo da semana, com emissoras de TV correndo atrás do prejuízo, e blogueiros escrevendo diuturnamente .

Hoje, esse trio ou quarteto ou quinteto de ferramentas em um blog virou lugar comum. Os WordPress e Blogspot da vida aceitam e oferecem dezenas ou cententas ou milhares de acessórios, também conhecidos por widgets, para incluir em um blog, com direito a música (Blip.FM e outros) e vídeo (leia-se YouTube) em tempo real.

E por que recontar essa história? Ora porque o Twitter, tardiamente ou não, é a bola da vez em “11 entre 10” publicações de papel, online e outras mídias. Aliás, este post foi inspirado em um link que li da jornalista e doutoranda  Luciana Moherdaui no Facebook, outra ferramenta, que também serve de complemento para blogs.

Luciana Moherdaui linkou o post Twitter is the new headline: how blogging and Twitter are complementary. Além disso, ela foi cobrir, usando o Twitter, a palestra “Estamos preparados para o público 2.0?“, organizada pelo grupo de Pesquisa Net Art: Perspectivas Criativas e Críticas (CNPq/PUC-SP) e a Agência Click, no Tuca, em Perdizes, e descobriu que havia um limite de tuitagens por dia, 119. Não é à toa que os jornais online/papel têm várias contas de suas respectivas editorias para poder dar conta da tuitagem de suas manchetes.

Noves fora, o planeta rendeu-se ao Twitter. Em janeiro deste ano, a revista eletrônica de fotografia PicturaPixel, editada por Claudio Versiani, em Barcelona, e Gilberto Tadday, em Nova York, ganhou cara nova, uma equipe oficial de colaboradores e uma conta no Twitter para divulgar suas seções, notas, matérias, vídeos, artigos, resenhas e tudo mais.

Some-se a isso os sites que encurtam endereço, pois no Twitter é preciso ser econômico. O mais famoso até pouco tempo atrás era o TinyURL. Um mais curtinho ainda é o Is.Gd. Nossos brazucas já correram atrás da ideia, que parece simples. O Migre.me arrebanhou internautas brasileiros dos quatro cantos do país. Em pouco tempo já há outro o Vai.la, que conheci no dia 14 de abril. O Migre.me conquista o twitteiro por um motivo simples. Dá pra ver quantas vezes a sua historinha no Twitter foi clicada, reclicada e retwittada. Não é a invenção da roda, mas está lá para você ver, buscar seus bookmarks, ter uma ideia do que acontece com os cliques e, se quiser, compararar os twitteiros/blogueiros que fazem de tudo isso um marketing sem fim, aumentando seus seguidores de forma artificial para conseguir mais público.

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Skype pra falar no iPhone; será?

Skype no iPhone, só funciona se conexão for Wi-Fi

Skype no iPhone, só funciona se conexão for Wi-Fi

Finalmente o Skype pode ser usado no iPhone. Ou quase. O programa mais conhecido para telefonar pela internet de graça ou por poucos centavos de euro ou dólar por minuto ganhou versão para o celular mais famoso do planeta. Detalhe importantíssimo: ele somente funciona se o acesso à internet for por conexão sem fio, a famosa rede Wi-Fi.

Imagine o dono de um iPhone 3G sair à rua e depender de acesso Wi-Fi para poder usar o Skype. Perde a graça. Perde a função.

Na era da internet móvel, você deveria ter o direito de usar o Skype como lhe der na telha. Explico: não há fonte oficial alguma que justifique a razão para que esse programa não funcione no iPhone usando a rede de dados 3G. Ora, o Skype é de graça, mas nem tanto. Em primeiro lugar, é preciso assinar um pacote de acesso à web com sua operadora de telefonia móvel. No Brasil, esse valor pode girar entre R$40 e R$ 100 por mês. Quem disse que é gratuito?

Segundo rumores nada críveis, a Apple teria feito um acordo com a AT&T lá atrás, quando lançaram a primeira versão do iPhone, para que programas desse gênero, conhecidos no jargão por VoIP, não funcionassem com o telefone da Apple.

Bom o tempo passou e quem compra esse celular paga caro por ele, além de ter de assinar um bom plano de dados para a web para a conta não ir às alturas. Afinal, o conceito do iPhone é acessar a internet em tempo integral.

Skype: instalação é rapidíssima

Skype: instalação é rapidíssima

SKYPE PARA ITOUCH – Donos de iTouch somente podem acessar a web por Wi-Fi. Ok, nesse caso, o Skype pode ser bastante útil, pois ele se transforma em um celular.

ALTERNATIVA MATREIRA – O Fring não tem o mesmo apelo visual que o Skype. Chega a ser feinho e confuso, porém imprescindível. Motivo: ele faz a ponte com o Skype e você pode usá-lo em alguns celulares, caso dos aparelhos Nokia NSeries ou ESeries, que utilizam o sistema Symbian. Basta instalá-lo, fazer os ajustes devidos, plugar o fone de ouvido e começar a falar com seus interlocutores do Skype ou ligar para algum contato, caso você tenha crédito para ligar para números de telefonia fixa ou celular pagando menos. O Fring também tem versão para iPhone, mas, obviamente, só funciona para teclar, pois a Apple não permite que você acesse a rede 3G para fazer ligações pela internet. Apenas por Wi-Fi. Muiiiitoooo bacana.

Conexão Barça-Sampa: tá tudo dominado em 5,28 minutos cravados

Conexão Barça-Sampa: tá tudo dominado em 5,28 minutos cravados

ALÔ, ALÔ, DE BARÇA, TESTANDO – Eu havia lido o teste do Skype para iTouch na Wired. O autor fez a avaliação no seu iTouch. Era final de tarde do último dia de março, terça-feira, dái pensei. Qual é a grande vantagem nessa história, afinal. Peguei o iPhone, entrei na Apple Store, digitei Skype e instalei o programa em rápidos minutos. Estava na agência onde edito a GSMmania, revista bimestral de computação móvel. Em suma, a conexão à web usada foi a Wi-Fi mesmo.

No computador, eu acabara de enviar um email a Claudio Versiani, que co-edita, de Barcelona, a revista eletrônica de fotografia PicturaPixel, da qual sou colaboradora. Acertávamos os ponteiros de uma pauta e eu lhe perguntei se ele queria ligar o Skype. Enquanto aguardava sua resposta, a instalação no iPhone já tinha sido concluída. Nem me passou pela cabeça que ele fosse querer ligar seu Skype, pois em Barça já era tarde da noite. A resposta de seu email foi taxativa: cinco minutos no máximo. Ok, eu ainda perguntei se ele preferia teclar, pois o microfone do computador não estava à mão.

Bastou eu informar login e senha do Skype no iPhone e, em segundos, tocou o Skype. Era ligação do navegador Versiani. Pluguei o fone de ouvido e lá fui eu tirar minhas dúvidas de uma entrevista para qual ele me havia pautado.

O som era claríssimo. O delay não era muito grande, consegui aumentar o volume sem dar pau algum. Em precisos cinco minutos e vinte e oito segundos, terminamos a ligação. Ok, eu ultrapassei vinte e oito segundos do tempo regulamentar.

Skype pra iPhone - Visu bacana, igual ao do computador

Skype pra iPhone - Visu bacana, igual ao do computadorSkype no iPhone - contatos à vista

Ele ainda me mandou um email, avisando a marca. Depois, enviei algumas mensagens de chat, uma delas para uma amiga em Campinas, e outra, para Sampa mesmo. Desliguei porque os diretores de arte exigiam minha presença para fazer ajustes nos textos da revista.

Skype no iPhone - vale a pena?

Skype no iPhone - vale a pena pra teclar?

VALE A PENA? – Se você está em um local com acesso Wi-Fi e vai fazer ligações, pode ser. De qualquer forma, na rua, em trânsito, nesta vida nômade, em que o espaço físico foi transformado em zeros e uns, eu ainda prefiro usar o Skype em qualquer canto, com a conexão que me der na telha. Por ora, só posso fazê-lo via Fring.

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Garçom, uma garrafa de celular, por favor

Um celular para ecochatos, oops, ecológicos de plantão

Um celular para ecochatos, oops, ecológicos de plantão

Ecochatos de plantão, oops, sorry, ecológicos de carteirinha, eis uma notícia para agradar os militantes da causa. A Motorola aderiu à onda da sustentatibilidade, termo usado por “11 entre 10” pessoas que acreditam em reciclagem.

Durante a Computer Electronic Show, a feira de eletrônicos mais importante dos EUA, que acontece anualmente em janeiro na terra da  jogatina, a empresa anunciou o W233, com revestimento em material reciclado a partir de garrafas plásticas.

Seguindo a linha do politicamente correto, o tamanho da embalagem foi reduzido em 22%, e o papel impresso é 100% reciclado.

Parabéns pela iniciativa. Bacana, mas vamos aos fatos: essa máscara de sustentatibilidade nada mais é do que economia na ponta do lápis. Aos cálculos. Quanto custa reduzir o tamanho da embalagem em 22%? A resposta pode vir diretamente da gráfica.

Em um planeta, em que o consumo permeia o indivíduo, vamos a uma pergunta: o que você faz com o seu aparelho velho?

a) Joga no lixo do vizinho;

b) Encosta na gaveta com os outros mais antigos ainda;

c) Encontra em qualquer loja um recipiente de algum fabricante que se preocupa em fazer coleta para reaproveitar os aparelhos.

Ok, a brincadeira não tem status para nenhuma estatística. Então vamos à foto abaixo.

Celular velho = ouro verde © Richard Barnes

Celular velho = ouro verde © Richard Barnes

Há cerca de um ano, deu no The New York Times a seguinte manchete: “The Afterlife of Cellphones“, em tradução livre, a vida após os celulares. No primeiro parágrafo, o autor constata que, em 2006, os cidadãos dos EUA despejaram 3 milhões de toneladas de eletrônicos no lixo comum. O artigo merece leitura, e o autor se deu ao trabalho de visitar uma indústria que reaproveita os metais de eletrônicos.

Não se trata de questão ecológica. Business. Negócio puro. É grana mesmo. Motivo simples: a empresa trabalha com tratamento de materiais, extraindo metais de televisores, computadores e celulares.

Em suma, parte do metal do telefone móvel vai para a fundição e, em temperaturas altíssimas, vira ouro. É o chamado ouro verde.

O umbigo é mais embaixo ainda. Porque esse segmento da indústria não consegue obter material necessário para produzir o ouro verde. Bom em uma cadeia, é meio óbvio que todos precisam fazer sua parte.

Eu diria, que a indústria de telefonia móvel não faz o suficiente. Isso mesmo. Não faz o seu papel. Porque as campanhas em sites, promovendo reciclagem são puro marketing, para deixar claro ao visitante que estão cumprindo sua obrigação.

Se o consumidor não é estimulado a se livrar de seus aparelhos para que outro segmento da indústria possa reaproveitá-los, ele o encosta na gaveta e pronto. Ou joga no lixo do vizinho. E mesmo com algumas práticas da indústria de reciclagem, o lixo continua aí.

Você tem idéia do que significa TRÊS MILHÕES DE TONELADAS de lixo de eletrônicos? Impossível conceber ou dimensionar.

Então, de que adianta produzir um celular bacana ecologicamente correto, feito de material reciclável se, mais adiante, ele vai parar na lata do lixo?

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Crise? Resposta: recorde de celulares em 2008

Pausa durante compras de Natal no Columbus Circle em Nova York. Crise? © Mike Segar

Pausa durante compras de Natal no Columbus Circle em Nova York. Crise? © Mike Segar

Enquanto a mídia noticia diuturnamente o verbete “crise”, e os governos dos países ricos despejam trilhões de dólares e euros para salvar instituições financeiras e a indústria automobilística nos EUA, eis uma notícia para refestelar os olhos e bolsos dos fabricantes de celulares.

Em 11 meses, o mercado brasileiro habilitou 26 milhões de linhas. Ou seja, no mínimo o valor equivalente a novos aparelhos. A informação é da Agência Nacional de Telecomunicações.

Quer uma comparação plausível? No mesmo período, de janeiro a novembro de 2007, o mercado brazuca habilitou 16.395.206 linhas. Faça suas contas sem muitas sinapses. Noves fora, a diferença é de quase 10 milhões. Na ponta do lápis, oops, da calculadora digital: um acréscimo de 9.677.088 linhas.

E por falar em teledensidade, vulgo jargão internacional para definir o número de telefones em um grupo de 100 habitantes de uma cidade ou de um país, o Brasil registrou em novembro 76,33%. Em 2007 a teledensidade brasileira era 61,20%.

Antes que o mercado continue em polvorosa, vale recapitular o seguinte: do total de linhas habilitadas, 119,5 milhões, ou 81,29%, são do sistema pré-pago, mais conhecidos por celulares pais-de-santo. Em suma, obtidos praticamente para receber ligações. O restante são os 27,5 milhões que fazem parte da fatia dos pós-pagos, ou 18,71% do bolo.

A Anatel divulgou ainda que o número de habilitações registrou alta de 21,55% em 11 meses.

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“I Just Called to Say I Love You” – celular no cenário do espaço público

"I just called to say I love you" © Motulz

Ilustração de Motulz para uma análise do celular na esfera do espaço público © Motulz

O escritor e romancista Jonathan Franzen faz um corte semiótico analisando o espaço público e seu declínio. Em seu ensaio I just called to say I love you”, (“Sem Pudor”“Sem pudor”, PDF do artigo traduzido por Clara Allain para o caderno Mais! da Folha de S.Paulo), o autor faz um paralelo interessante sobre o papel que o cigarro ocupava havia dez anos e que foi substituído pelo celular.

Vale a pena uma comparação entre as estratégias usadas pela indústria de tabaco e pela tecnologia móvel para chegar ao público.

E por que não pensar na cultura do automóvel? Aí vai um convite para refletir no paralelo entre o celular e o carro. Fica a sugestão da leitura do conto “La autopista del sur”, do escritor argentino Julio Cortázar, que narra pedestres motoristas e passageiros presos durante dias em um engarrafamento ao voltar para Paris após um final de semana no campo. Esse conto faz parte do livro “Todos os fogos o fogo”, publicado no Brasil pela Civilização Brasileira.

Blindness - Ensaio sobre a cegueira © Ken Woroner

Blindness - Ensaio sobre a cegueira © Ken Woroner

E para continuar nos links, “A auto-estrada do sul” talvez seja uma metáfora muito próxima de “Ensaio sobre a cegueira“, de José Saramago, que levanta igualmente a questão da civilização. Saramago escreveu e Fernando Meirelles o filmou. “Blindness” é polêmico, agradou e desagradou a críticos. Os autores deste blog gostaram. A escriba desta nota aqui o achou excelente. O livro de Saramago merece e deve ser lido. Idem para o filme de Meirelles.

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Nokia: música de graça, ou quase

A loja iTunes da Apple domina praticamente metade das vendas de música online  em todo o mundo. E onde entra a Nokia nisso tudo? Ela anunciou no dia 2 de outubro, durante evento em Londres, que vai oferecer um serviço de música. Trata-se do “Comes with music”, em tradução literal, “Já vem com música”.
Até aí, nenhuma novidade retumbante, uma vez que a Sony Ericsson lançou recentemente o PlayNow Uncut, que antes tinha o apelido de M-Buzz, uma extensão do serviço PlayNow, e a LG planeja algo similar.
Nada retumbante? Ledo engano: o produto da empresa finlandesa se diferencia dos demais porque os usuários podem ficar com todo o conteúdo baixado no período da assinatura, que deve variar de 12 a 18 meses. Traduzindo: não há ônus algum para baixar as músicas, pois o custo está embutido no preço do telefone.
E o que os especialistas têm a dizer sobre isso? O serviço da Nokia vai trazer música gratuita a milhões de consumidores, mudando o cenário da indústria fonográfica. O lançamento de celulares com acesso ilimitado a download de canções pode trazer uma mudança radical no consumo de música digital.
E não é só isso. A Nokia conhece muito bem o impacto das vendas do iPhone no mercado. Não é à toa que, desde o ano passado, a empresa promoveu uma reviravolta em seu modelo de negócios, tendo como alvo principal serviços na web para combater o lento crescimento em vendas de celulares.
E, de quebra, também saiu do forno no mesmo dia o 5800 XpressMusic, um celular com tela sensível ao toque, que deverá ser vendido em meados deste mês na Grã-Bretanha, o terceiro maior mercado música online.
Esse modelo era esperadíssimo. Era a única pegunta que importava em qualquer entrevista onde estivesse um porta-voz da Nokia. Motivo óbvio: a empresa nunca havia oferecido ao consumidor um aparelho com tela sensível ao toque nesses moldes.
O que interessa aqui não é necessariamente se o aparelho é uma cópia ou se faz jus ao iPhone. A Nokia está de olho é em aparelhos que façam o consumidor ir atrás de conteúdo oferecido por ela.  Não é à toa que já comprou outras empresas com serviços para acessar a web pelo telefone, entre eles o OVI e o Mosh.

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Blip.FM, o que você está ouvindo?

Blipar, novo verbo nas ondas da rádio do século 21

Blipar, novo verbo nas ondas da rádio do século 21

Blipar, um novo verbo para quem gosta de música
Blipar, um novo verbo para quem gosta de música

Você vira DJ sem precisar sair da frente do seu computador. O Blip.Fm é mais uma rede social que deu a cara para bater no finalzinho de agosto e já conta com uma legião de internautas dos quatro rincões do planeta conectado na nave louca.

A princípio, o serviço é simples. Você ganha uma conta e busca na rede a música que gostaria de ouvir, e,  em 150 caracteres, deixa o seu recado. Claro está que é preciso conectar-se a outros internautas. Em minutos, há uma dezena de ouvintes que começam a se linkar uns aos outros, e, repentinamente, você já criou sua lista de músicas e de seguidores, mais conhecidos por listeners.

O Blip.FM é a versão áudio do Twitter, uma rede social em que o internauta avisa a seu público o que está fazendo em 140 caracteres. Também conhecido por microblogging.

E a associação da indústria da música, a RIIA! Será que ela já deu seu pitaco? Teoricamente, o Blip.FM teria tudo para ser ilegal, afinal, para ouvir o acervo, é preciso oferecê-lo. E o internauta tem de subir, se quiser, as músicas guardadas em seu computador. Ao fazer uma pesquisa, acham-se canções de todos os gêneros, o que indica que o usuário divide mesmo.

E quem é o responsável pelo conteúdo? Bom, o pessoal da Blip.FM isenta-se, e quem sobe a música é que arcaria com a responsabilidade. Porém os moralistas de plantão que ainda acreditam que é possível conter mais uma forma de compartilhar música teriam de sair correndo, literalmente, para processar os internautas que estão ouvindo música e dividindo seus gostos musicais por aí.

E o Blip tem um papel importante, pois é, literalmente, uma estação de rádio em que o gosto do freguês é totalmente personalizado. E com direito a trocar recadinhos rápidos. Ah, detalhe importantíssimo: se você quiser comprar a música, basta clicar. Ao que parece, vamos todos usar a banda larga dos nossos respectivos provedores e ouvir música.

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Post de um celular smartphone 3G

Com um celular Nokia E71, que chegará em breve ao mercado brasileiro para o mercado corporativo, escrevo este post usando a conexão 3G, que contratei da TIM.

O plano de dados é de 1 Gigabyte por R$ 69,90. A questão não chega, exatamente, a ser o preço. O problema consiste em calcular o tráfego de dados. Afinal, quando você fica conectado na web, perde a noção de quantas horas navega por sites, escrevendo em blogs como o Twitter, checando e-mail, subindo fotos para o Flickr ou conectando-se em redes sociais. E você perderia a cabeça se quisesse calcular o tráfego de dados. É inviável.

Então contratar um serviço com tráfego determinado por um preço “x” não vale a pena. Principalmente se a idéia é conectar-se à web pelo seu celular sempre que quiser.

Tente fazer uma equivalência: você contrata o serviço de TV paga por alguns canais e aceita o preço. Se assistir apenas um canal algumas horas por dia ou deixar sempre o televisor ligado, vai pagar o mesmo preço.

O mesmo vale para a internet fixa. Paga-se por banda larga e não importa se ela é utilizada ou não, se você trafega milhares dados, equivalentes a gigabytes.

A internet móvel com tráfego de dados ilimitado por ora é cara para o consumidor comum. Ela é acessível quando a empresa paga a sua conta, e isso somente acontece quando a corporação quer seus executivos conectados 24 horas por dia.

Ou então o reles mortal vai ter de encontrar uma rede pública com conexão gratuita aonde for. No Brasil, os comerciantes não querem nem saber disso. Se eles têm rede Wi-Fi, cobram pela conexão, na verdade terceirizada pela Vex ou outro concorrente. Parques e praças com conexão gratuita, por ora, só para quem estiver em Paris ou Nova York.

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Celulares em números

Vamos ver se as contas fecham.
Segundo dados da Anatel de junho, o Brasil tem 133,2 milhões de linhas de celulares ativas. Desse total, pouco mais de 80% são de linhas pré-pagas.

O que sobra então para as operadoras trabalharem, já que os mais de 100 milhões de usuários praticamente não usam o celular para fazer ligações? É o famoso celular pai-de-santo, só recebe. Eparrei.

Pelos cálculos, restam quase 20%, ou 26,6 milhões de telefones pós-pagos. Mais: desse total, apenas 3% acessam a web, recalculando, são 798 mil usuários que utilizam seus telefones para acessar a web, enviar e-mail, subir fotos, entre outras funções.

Romina Aducci, diretora de telecomunicações do IDC para a América Latina, revelou dados interessantes durante o eveno da Nokia. A eles: em 2007, o instituto de pesquisas levantou que a América Latina tem 353 milhões de linhas de telefonia celular. Desse total, 61 milhões são telefones para uso corporativo.

Outras estatísticas que interessam à indústria de telefonia móvel: em 2007, havia 1 milhão de e-mails corporativos.

A Nokia divulga que de acordo com o Gartner e o IDC, em 2007 havia 750 milhões de caixas de correio corporativo em todo o mundo. Desse total, 30 milhões correspondem a contas corporativas móveis. As previsões apontam que em 2011 haverá 80 milhões de contas corporativas móveis.

Aí sim dá para entender por que a indústria aposta em celulares voltados para negócios. O lançamento de dois aparelhos, o E66 e o E71, é uma aposta na continuidade desse modelo. A briga é feia, pois nessa seara estão a RIM, dona do BlackBerry, que domina esse mercado, HTC, a Nokia, a Motorola, a Samsung, a Sony Ericsson e a LG. E há uma última copanhia que decidiu subir no ringue: a Apple, com o iPhone 3G.

Resta saber se os CIOs, os chefes de departamento de tecnologia, responsáveis pela decisão de compras de celulares corporativos, vão querer abrir mão do consolidado BlackBerry, que já tem versão slim, magrinha e com design mais atraente.

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Nomadismo em trânsito

Em poucas horas de vôo, rumo a Buenos Aires, observo que Regina, chefe de cabine, não se deu conta  de que dois passageiros de feições orientais são surdo-mudos.

Seriam estrangeiros? Para ela, talvez. Para o mundo, trata-se de uma outra linguagem.

A tentativa de diálogo entre a comissária de bordo e os dois é inexistente. Talvez pelo embrutecimento de seu trabalho, ela não perceba que outra abordagem é necessária para que se estabeleça um diálogo.

Ora ela tenta falar em inglês, ora em português. Ambos idiomas falham. A linguagem é outra. É visível, bastam alguns segundos de observação para entender que a comunicação com essa dupla se dá por sinais.

Regina insiste e lhes pergunta se eles preferem “pasta ou carne”. Eles respondem com as mãos. Ela persiste: “carne ou pasta”? Sem resposta. Mais uma vez, agora em inglês. Não dá certo.

Resultado: os passageiros vêem os pratos e acabam escolhendo. Terminado o embate lingüístico.

Ao longo da viagem, os dois conversam sobre sudoku, um deles traz na mão um livrinho. O outro tem uma câmera digital em mãos e fotografa o tempo todo. Parece mostrar ao amigo as vantagens, os recursos, mudando os efeitos.

Fico imaginando o seguinte cenário: um vôo repleto de surdo-mudos. Seria no mínimo um aprendizado para os comissários e para quem assiste de soslaio.

Na chegada ao aeroporto, ao sair da aeronave, Regina fala com funcionários e diz que os dois não falam língua nenhuma. Como assim, Regina? Um dos funcionários pede, falando, que os passageiros os acompanhem.

Buenos Aires, por quê?

Vim a Buenos Aires a convite da Nokia, que fará lançamentos ao longo do dia de hoje em mobilidade corporativa. Renderá material para a revista que edito, a GSMmania, e para o jornal Economia Interativa, no qual sou colaboradora fixa. E talvez para a revista Windows Vista, dirigida por Heinar Maracy.

Ao vivo

Para acompanhar ao vivo o que acontece neste evento, vou de Twitter. É um convite, leitores. Vamos lá.

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As promessas do iPhone 3G na telefonia móvel

Na sexta-feira, dia 11 de julho, mal as portas foram abertas e lá foram milhres de pessoas em 21 países atrás do objeto de consumo mais falado do últimos tempos: o iPhone 3G.

Setenta e duas horas depois, a Apple comunicava ao mundo que vendera 1 milhão de unidades do iPhone 3G. Os acionistas agradeceram. Pudera, as ações registraram alta de 2 pontos percentuais.

Segundo Steve Jobs, presidente da empresa, a primeira versão desse telefone, lançada em junho de 2007, registrou 270 mil unidades vendidas em dois dias. A marca de 1 milhão do primeiro iPhone foi alcançada em setembro.

Apesar de não suportar mais ouvir e ler sobre esse assunto, tão bombardeado, por ossos do oRifício (como diz uma amiga), entrevistei Luis Minoru Shibata, diretor-executivo da empresa Ipsos, que deu um parecer interessante sobre o impacto do iPhone 3G nas empresas e na sociedade.

Falei também com Henrique Martin, co-autor do blog Zumo, e atual editor do site MacWorld Brasil. Martin participou de um podcast do IDG Now, no qual foi bastante crítico em relação a esse hype. Foi exatamente isso que me chamaou a atenção.

As duas entrevistas fazem parte de uma reportagem que será publicada no jornal Economia Interativa, do qual sou colaboradora semanal.

Afinal, o iPhone 3G é tudo o que dizem? Martin acredita que ele tem recursos atraentes, mas será preciso esperar pela versão 3.0, 4.0 e por aí vai. Alguns itens, que ele faz questão de frisar: até agora a Apple não se deu ao trabalho de colocar uma câmera frontal no iPhone, imprescindível para videochamadas. Mais: ele também não permite filmar. Outro detalhe importante: não permite criar e enviar mensagens muiltimídia, MMS.

E a mídia continua babando, falando das maravilhas desse aparelho. Mesmo os mais experientes, ao citar os números oficiais da Apple, usam aquele velho discurso incorporando as informações, conferindo-lhes ar de verdadeiro. Ao se referirem à concorrência, mudam rapidamente para o velho e bom “diz a empresa que…”, colocando a afirmação na declaração do outro.

Mas um jornalista conhecido nos EUA e no The New York TImes, David Pogue, (versão traduzida pelo Link, do Estadão) parece um dos primeiros a escrever algo mais crítico.

Enquanto isso…

Bom os brasileiros terão de esperar até o final do ano, mas já há quem ofereça iPhone 3G desbloqueado. Alguém aí se candidata a me contar se já pôs as mãos nele?

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A internet móvel da “thumb generation”

Em tradução literal, “thumb generation” ficaria “geração do polegar” ou “geração do dedo polegar”. Não combina. Mesmo. Em francês, ficou “génération pouce”. Em português, talvez a melhor opção seja “geração SMS”, em alusão às mensagens curtas de texto, criadas no celular. Alguém sugere algo melhor?

A faixa etária dessa geração está entre os 13 e 30 anos, que lá fora, bem entendido, não está nem aí para o preço dos serviços de telefonia móvel. O uso da internet no celular faz parte do seu cotidiano. Quem constata é Mei Wen Chou, da Brunel University, na Grã-Bretanha.

Já mandei e-mail solicitando entrevista à pesquisadora, que fez parte de um estudo que deverá ser publicado no International Journal of Technology.

Os pesquisadores haviam constatado que a internet já tinha modificado o uso no trabalho e no lazer dessa geração, mas faltava levantar dados e analisar o perfil desse público e seu uso da rede mundial em celulares.  Entre as observações dos estudiosos ficou claro que a navegação pela internet se dá com mais freqüência no celular do que no computador, seja ele de mesa ou portátil.

Em breve, outro texto com os resultados da entrevista, com direito à podcast da gravação.

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as estatísticas no planeta celular

Para os que acreditam em números, vamos lá: não foi Steve Jobs que começou a semana passada anunciando ao mundo que espera vender 10 milhões de iPhone 3G até o final do ano? O presidente da Apple também afirmou que em 365 dias despejou 6 milhões de iPhone nas mãos do consumidor desde junho passado.

E as cifras de celulares vendidos em todo o planeta, como ficam? O que o Gartner diz é o seguinte: as vendas mundiais de telefones móveis, ou telemóveis, como são simpaticamente conhecidos em Portugal, registraram aumento de 13,6% no primeiro trimestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007.

Traduzindo: foram vendidos no mundo todo 294,3 milhões de unidades nos primeiros três meses. Apesar do aumento, o Leste europeu teve uma queda de 16,4% no trimestre, comparando com os primeiros três meses de 2007.

O que dizem os especialistas do instituto: as vendas em mercados emergentes continuam crescendo, enquanto mercados mais maduros sentem a pressão de um ambiente econômico incerto.

E os fabricantes? – A Nokia, a finlandesa líder mundial, registrou 115,2 milhões de aparelhos vendidos nesse período, apesar de ter sofrido queda de 39,1%. Segundo análises do instituto, a empresa conseguiu manter-se na liderança por conta de um grande portfólio, com altos índices de venda em mercados emergentes. Esses especialistas são implacáveis com a companhia: para que a Nokia fique à frente, será necessário integrar novas tecnologias nos aparelhos e melhorar dos quesitos esign e uso.

A Samsung, por sua vez, alcançou a marca de 42,4 milhões de celulares vendidos, garantindo o segundo posto no ranking. Mais: ela aumentou a distância da terceira colocada, a Motorola. Resultado: obteve um ganho de market share de 14,4%. Motivo, segundo os analistas do Gartner: a empresa está reagindo rapidamente aos celulares com tela sensível ao toque, os “touch-screen”.

A Motorola continua com o mesmo problema de 2007. As vendas caíram para 29,9 milhões de unidades. Será que a explicação é assim tão simplista: o fabricante norte-americano não conseguiu enocntrar o sucessor para o popular RaZr, mesmo lançando modelos e mais modelos em seu portfólio?

Murmura-se pelos bastidores que dificilmente a Motorola consegue se alinhar com a concorrência neste ano. Noves fora,  seu posto de terceiro lugar está sendo seriamente ameaçado pela coreana LG, a quarta colocada na contínua corrida dos fabricantes.

A LG, por sinal, teve um início glamuroso no trimestre, alcançando a marca de 23,6 milhões de unidades despejadas nas prateleiras das lojas em todo o mundo. E papou 8% a mais da fatia do bolo.

A coreana é guerreira nessa arena. Ultrapassou a Sony Ericsson e capitalizou a atenção do mercado com o anúncio de modelos com telas sensíveis ao toque desde o anúncio do iPhone em junho de 2007.

Os analistas do Gartner vaticinam: mesmo com o apelo popular de modelos, entre eles o LG Prada e a linha Shine, a empresa precisa lançar um portfólio de smartphones mais poderoso, uma vez que o consumidor e operadoras de telefonia móvel já começaram a enfatizar seus desejos nesse segmento.

Outra que teve um início de ano complicado foi a Sony Ericsson. Suas vendas chegaram a 22,1 milhões, marca insuficiente para continuar no quarto lugar no ranking mundial. Segundo divulgou o Gartner, a empresa atribui esse resultado a dificuldades no mercado do Leste europeu. Para o segundo semestre, ela vem de forma agressiva abrindo seu potfólio com uma safra de aparelhos para consumidores de segmento médio. Dessa forma, a Sony Ericsson estará em boa posição para recuperar seu quarto posto no mercado.

Fonte: Gartner Inc

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Eae? Já está Claro quem vai pagar a conta do iPhone 3G?

Página da abertura da Claro para pré-cadastramentoO iPhone 3G mal chegou às prateleiras e já estão todos fazendo as suas contas. Ou pelo menos imaginando como serão. Afinal como me disse, ao longo da tarde, Cris de Luca, do Circuito, o que interessa são os planos de venda e não o preço do celular.

Nos EUA e na Europa é bem possível que ele saia de graça. Ops. Grátis? Nunca, diriam os economistas. Nada é de graça. Para ter um aparelho iPhone 3G a, supostamente, sem custo algum, as operadoras terão de embutir o preço desse telefone em um plano. Lá fora, fala-se em contrato de assinatura de no mínimo dois anos. Haja fidelidade.

E Steve Jobs foi categórico. O iPhone 3G mais simples vai chegar a 70 países custando US$ 199. No site em português da Apple, bem no canto direito, lá embaixo, há um link onde comprar.

Telefone, iPod, internet e mais

Já foi lá? Dá direto na Claro.

Enquanto isso, conjeturas todos podem fazer. A elas: a Claro, menos de dois dias após o anúncio do iPhone 3G, vem estampando em sua tela de abertura a oferta do celular da Apple. Corra aficionado, corra. Quer dizer, o que você está esperando? Entre no site da empresa e preencha seus dados. Está sem paciência? Então digite os quatro números logo abaixo da página, 1052. Uma voz eletrônica vai lhe pedir alguns dados e pronto. É só aguardar.

Não sei quanto tempo, mas a operadora está cotada para ser a primeira a oferecer o iPhone com um plano pós-pago. E já que que estamos no plano das conjeturas está claro que as contas são todas suposições.

Para pagar a conta dos US$ 199 ou US$ 299, dependendo do iPhone 3G que você escolher, pode-se imaginar que será preciso assinar um plano de 18 meses? Ou dois anos? O tempo dirá. Mas jogando lá no alto, o mais caro, oferecido hoje no site da empresa, é o Plano 3G 900, com direito a 750 minutos de ligações locais.

Planos 3G da Claro

Detalhe, nesse plano de R$ 376,90, estão apenas incluídos 150 Megabytes de acesso à internet. Por experiência própria, isso não dá para nada, principalmente se você gosta de entrar em sites o tempo inteiro, conferir a chegada de e-mails, postar em blogs, usar Skype, MSN ou outras redes sociais.

E quem quer um iPhone 3G seguramente vai querer navegar pela web em alta velocidade. O pacote Internet 2000 tem hoje franquia mensal de 2 Gigabytes, por 30 dias, a velocidade de 1 Megabit. Hoje, fazendo os cálculos, a conta ficaria em R$ 376,90 (plano 900 de 750 minutos) + R$ 99,90 = R$ 476,80.

Vale a pena? Claro, a decisão está nas suas mãos. Não venha dizer depois que pagou apenas US$ 199 ou que ele saiu de graça.

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Amazon caiu, eae? O Twitter, “baleiando”, entrou em ação

A livraria que mais vende no planeta ficou fora do ar por aproximadamente duas horas. Algo inconcebível no mundo do capital. O estrago foi feio, o suficiente para deixar de vender livros e outros produtos e “manchar” o seu faturamento.

Deu no G1 que a ciberlivraria Amazon teria deixado de faturar US$ 2,79 milhões. Números são críveis? São todos baseados em outros números. A eles: a lógica matemática ensina a seguinte conta. A Keynote Systems, responsável pelo monitoramento de acesso de sites, informou que a empresa ficou fora do ar por 90 minutos.

Então baseado no faturamento da Amazon, que divulgou ter obtido US$ 4,13 bilhões em vendas no último trimestre, cada minuto fora do ar é igual a US$ 31 mil. Noventa minutos fora da rede = US$ 2,79 milhões a menos nos cofres da companhia. Mais: em abril, a loja registrou mais de 58 milhões de visitações, segundo a ComScore, apenas nos Estados Unidos.

Seguramente essa perda vai custar a cabeça de algum executivo ou de vários deles da área de TI, também conhecidos no mercado de tecnologia como CTO (Chief Technology Officer), traduzindo o chefão responsável pela tecnologia em uma empresa.

Livraria virtual fora da rede - web móvel

Site fora do ar não faltou nessa sexta-feira. Enquanto a Amazon deixava os funcionários de cabelo em pé, uma rede social conhecida no mundo dos internautas também caía. O Twitter, a rede social em voga, vive bambeando e deixando seus usuários frustrados. Vira e mexe alguns vão para redes paralelas ou usam outros recursos que acessam o Twitter.

Nessa onda de cai não cai, não é que o danado acabou, mesmo capenga, pipocando em todos os cantos do planeta a saída da Amazon da rede? Foi ele que avisou sobre a megalivraria virtual quem trabalha em redações online e cobre negócios e tecnologia. Em questão de minutos, deu-se início a oficialização dessa informação que já corria solta pelas redes sociais.

Não deu outra: todos saíram escrevendo sobre o assunto. E o melhor título de um artigo, que pincei, ficou para um texto do Buzzwatch, pendurado no site do The Wall Street Journal: “Social Media: Yes, Twitter Users, We Know. Amazon Was Down“. Em tradução literal: “Rede social: sim, twitteiros, nós sabemos. A Amazon caiu”.

O artigo começa narrando aquele velho diálogo comum em escritórios, quando um funcionário pergunta em voz alta ao colega se está conseguindo acessar a rede, e todos começam a dizer que caiu o sistema. Até aí nada de novo.

A graça, ou desgraça, aconteceu em cadeia quando os usuários do Twitter começaram avisar seus interlocutores que a rede do Amazon estava fora do ar. E não foi só nessa rede social. O FriendFeed, um agregador de redes sociais, começou a pular na minha tela, por meio do Thwirl, com um microtexto de algum internauta americano alertando a saída da Amazon da web.

Eu saía nesse momento de casa, quando lia a notícia no meu celular. No trajeto para uma pauta, postei neste blog o que vira: US$ 500 por segundo em perdas de vendas. Mal consegui escrever, a conexão no celular caiu. Mas deu tempo de “fotografar” o site fora do ar.

Tarde da noite, já em casa, conferi os noticiários. Antes, porém, me conectei ao Twitter e lá estava uma resposta, com a correção, vinda por Cristina de Luca, autora do Circuito. Ela lera no G1 que a perda fora de US$ 31 mil por minuto.

E a Amazon? Disse oficialmente o tempo exato que ficou fora do ar? Craig Berman , porta-voz da empresa, fez um rápido pronunciamento, relatando que o sistema da empresa é muito complexo. O discurso oficial informou que estavam trabalhando para retornar ao normal.

Mais interessante do que o discurso oficial é passear os olhos pelo que a comunidade internauta disse sobre a queda momentânea do maior ícone do comércio online.

Tweet Scan - o rastreador de micronarrativas no Twitter

Summize - rastreando micronarrativas de internautas pelo Twitter

O

Tweet Scan e o Summize rastreiam tudo o que foi escrito noTwitter. Basta digitar a palavra Amazon para ler em inglês, português e outros idiomas, nos quais os “twitteiros” narraram suas microhistórias.

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Recado do pai da internet e previsíveis hábitos do homem

Ok, um dos pais da internet não veio ao país para participar da abertura do escritório brasileiro da W3C, órgão regulador da rede. Tim Berners-Lee passou seu recado aos presentes por videoconferência gravada e centrou sua fala em e-government, pincelando a web nos celulares.

Pesquisa – 100 mil pessoas foram rastreadas pelo celular, por meio dos sinais de ligações e envio e recepção de mensagens de texto. Resultado: o padrão do ser humano é previsível. A maioria se desloca para o trabalho e escola e volta para casa. Do total de pesquisados, praticamente 75% restringiram-se a um raio de 32 km.

Um dos resultados do estudo “Mobile phones demystify commuter rat race” publicado na Nature, segundo Albert-Laszló Barabási, da Northeastern University (EUA), pode ajudar epidemiologistas a prever como vírus podem se espalhar em populações, auxiliando urbanistas, por exemplo, a realocar recursos.

O estudo aponta padrões que podem parecer óbvios, disse Barabási, que coordenou a pesquisa. No site da Nature, ele afirma que “ao olhar para a população como um todo, não há como descrever os padrões. O problema ao responder a essa pergunta é que as pessoas normalmente não são rastreadas, mas hoje somos rastreados graças aos celulares que carregamos”.

O que o estudioso fez – Barabási e seus colegas conseguiram autorização de uma operadora de telefonia móvel, sob a condição de anonimato, monitorar chamadas e mensagens de textos de 100 mil pessoas ao longo de seis meses.

Privacidade – O estudo de Barabási enfrenta alguns desafios. Por questões contratuais, a pesquisa não pode divulgar em que país foi feita. Isso pode, no entanto, afetar os padrões de hábitos variados em países diferentes. Dirk Brockmann (Northwestern University – Illinois, ), que tentou analisar o movimento de mais de meio milhão de cédulas de um dólar durante cinco anos, diz que a questão agora é descobrir por que algo tão complexo como o movimento humano segue padrões tão consistentes. “Nenhum estudo pode responder a essa questão.”

Em tempo: se alguém quiser rastrear Barabási, é indispensável a leitura de “Linked: How Everything Is Connected to Everything Else and What It Means“. Foi publicado em 2000 e é atualíssimo.


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nômades da motocicleta

fluxos velozes em duas rodas, encapuçados pela viseira do capacete, cruzam, quase autônomos, às vezes selvagens, o inteligível caos das grandes metrópoles: Buenos Aires, Rio de Janeiro, Cidade do México, São Paulo…

nômades movimentados pela logística organizacional das redes de negócios, empresas e pessoas, na qual velocidade e mobilidade são imperativos, os motoboys encontraram no celular, mais do que uma ferramenta de comunicação, um instrumento de expressão estética e plataforma capaz de potencializar um outro negócio dentro da sua atividade primária como andarilhos urbanos.

mais do que uma subcultura de grupo, com valorização de atitudes e códigos próprios, uma experiência iniciada em São Paulo vem compondo um dos fenômenos de cybercultura dentro do qual esses trabalhadores têm uma inserção. canal*Motoboy é um coletivo formado por esses profissionais que inserem um conjunto de narrativas no território da expressão artística, geradas a partir das vivências e do olhar de cada um dos integrantes do grupo-rede.

mas do que falam essas pessoas? qual é exatamente a sua perspectiva? no limite, caberia mesmo a pergunta de Eleilson Leite, se existe de fato uma cultura motoboy, no artigo “A revolução cultural dos motoboys”, publicada no Le Monde Diplomatique Brasil.

ao abordar o tema, fugindo dos estereótipos e preconceitos comuns, o autor aponta a dura realidade desse grupo estimado em 300 mil motociclistas, apenas na capital paulistana.

um novo domínio do território
menos importante do que a cultura de grupo, a expressão do conjunto de singularidades por diferentes canais de manifestação estética é o ponto central da questão. essa dinâmica ficou marcada na 1ª Semana de Cultura Motoboy, que teve espaço no Centro Cultural Popular da Consolação (CCPC), em São Paulo, entre 12 e 17 de maio.

o canal*Motoboy nasceu de uma experiência do artista espanhol Antoni Abad, que passou por São Paulo em 2007 e estimulou a criação de um grupo com 12 motoqueiros para que eles, através de celulares com câmeras integradas, produzissem fotos, vídeos e entrevistas contando o dia-a-dia na capital paulista, relata Eliezer Muniz dos Santos, curador da mostra.

Depoimento gravado com Nokia 6110 Navigator e editado no Windows Movie Maker

o próprio Eliezer conhece de perto a realidade sobre a qual se debruça hoje como pesquisador, mas que experienciou por mais de 15 anos como profissional.

essa apropriação dos motoboys do seu próprio cotidiano, agora deslocado em uma abordagem estética, reflete bem a dinâmica de fluidez contemporânea, em uma dinâmica que o pesquisador da UFBA, André Lemos, analisa no artigo Ciberespaço e Tecnologias Móveis.

Luiz Fernando Santos

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O papel do celular nas redes sociais – chamada para discussão

Este post, por ora, é uma chamada à discussão. O artigo “The future of social networking: moble phones“, publicado no Times Online, é o mote.

Ontem entrevistei a jornalista, escritora e pesquisadora Ana Carmen, que postou o texto “Roda Viva com Ivaldo Bertazzo a bordo do Twitter“, na semana passada, e me relatou sua experiência nos últimos anos, acompanhando essa grande mudança que vivemos e experimentamos com essas tecnologias mudando o nosso cotidiano.

Ainda falta conversar com outros participantes da primeira e segunda edição do programa, entre eles Pedro Doria, Lu Freitas e Inagaki, e conseguir agendar entrevista com a direção e/ou produção do Roda Viva, da TV Cultura.

Minha idéia, além de levar a discussão para o blog, é produzir matéria para GSMmania (site em reconstrução), na qual sou editora.

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CHÁ VERDE EM TARDE NÔMADE x TWITTER

O Twitter está lerdo hoje e falha no carregamento o tempo todo. Enquanto isso, na leitura fragmentada do século 21, que tal os artigos “Breaking news, Twitter style“, no site da Reuters, e “Why Twitter Matters“, publicado na Business Week, que trata da explosão desse serviço, questionando se ele é páreo para o Social media at FacebookFacebook?

Leitura recomendável para os que discutem e pensam em redes sociais, em tempos de web 3.0.

Vale lembrar e repetir que a TV Cultura iniciou sua cruzada para angariar telespectadores que pertencem a uma categoria bastante desejada e, aparentemente, fora do alcance da televisão: os internautas.

A iniciativa do programa Roda Viva -aliás a página está vetusta e merece urgente uma atualização, mas dá para acessar o blog da TV Cultura– é inédita.

Há duas edições, o programa tem chamado blogueiros/twitteiros para participar da platéia.
Pelo que entendi, eles não podem perguntar nada ao entrevistado. Aliás, quem assistiu pela TV relatou que a câmera mal registra a presença dos blogueiros. Pelo Twitter, eles comentam o que acontece durante a roda viva de perguntas e respostas e informam os internautas. Um resumo que se atualiza com frases de 140 caracteres, o máximo que o serviço permite. O Tweetscan e outros servem para rastrear o que foi dito na web sobre um assunto, bastando, por exemplo, digitar #rodaviva.

É uma forma de chamar os internautas para ligar a TV? Ainda é cedo para responder a essa questão. Afinal, quem não quiser desgrudar do seu monitor pode assistir a transmissão do programa pela web ao vivo.

Trata-se da segunda experiência e essa forma pode e deve mudar. Por que não incluir os blogueiros na turma dos entrevistadores?

Na última segunda-feira, a blogueira, jornalista e escritora Ana Carmen foi uma das convidadas a participar da platéia composta de três blogueiros/twitteiros, durante a entrevista com o bailarino e coreógrafo Ivaldo Bertazzo. A jornalista e blogueira HelenaN, do Prateleira.net, e o jornalista Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece, completaram o grupo.

Nada é por acaso. Paulo Markun, presidente da Fundação Anchieta – Centro Paulista de Rádio e TV Educativa, está muito bem assessorado. Aliás, parabéns ao responsável por nova mídias. E Markun revela seu lado interneteiro em entrevista ao Link, do Estadão. Sem deixar de arrematar que tem um filho da geração Y, Pedro Markun.

Seria injusto esquecer que a Fundação Padre Anchieta já tem outras iniciativas na web. O Radar Cultura é uma rede social que começou a engatinhar e deve ter engatado, espera-se, mesclando a Rádio Cultura AM com web. Merece visita, cadastro e experimentação.

P.S. Já agendei entrevista ao vivo com Ana Carmen e estou tentando falar com HelenaN e Inagaki. Também vou atrás do responsável por novas mídias da TV Cultura. A idéia é escrever um texto com depoimentos para a revista GSMmania (site em reestruturação), na qual sou editora.

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A força objetiva do terremoto e o esforço objetivo dos estudantes chineses

O post Terremoto ao vivo e/ou a sociedade do espetáculo gerou uma análise bastante interessante.
Vem do pesquisador e professor universitário Vicente Gosciola, autor do livro “Roteiro para as novas mídias: do cinema às mídias interativas.” ( Senac, 2008 )
Reproduzo na íntegra e tomei a liberdade de lhe pedir que autorizasse a divulgação de seu-mail, que segue no pé biográfico.

Acho que o texto de Maria Rita Kehl, assim como o
comentário do Eugênio Bucci, em que pese o louvável esforço
em atender às questões da individualidade dos estudos da
comunicação, carece de atualização se quiser se dirigir ao
campo dos meios comunicação que estão surgindo agora. Sua
argumentação ainda está muito presa à idéia de que a única
estruturação de sentido possível depende da interpretação do

inconsciente ou dos elementos significantes de um evento ou
manifestação. Acho que a web 3 tem, certamente, o fluxo
continuo do inconsciente, como tudo na vida, mas ela tem
outra fonte de sentido e que é preponderante na sua
estruturação: a materialidade da comunicação, sua
objetividade (que, também como tudo na vida, não exclui a
sua subjetividade). Veja a força objetiva do fato terremoto
e o esforço objetivo de comunicação dos estudantes chineses.

Por que só haveria neste episódio a subjetividade e a

indústria cultural? A falida indústria cultural é também um

conceito falido, que Kehl chama predecessora da Sociedade do
Espetáculo e lhe reputa toda a responsabilidade por tudo que

se impôs até agora ao dia-a-dia das pessoas em termos de

comunicação, informação e entretenimento. Estou plenamente
de acordo, mas desde a web 2 muita água nova está passando

ao largo do lago de água estagnada dos meios de comunicação

fomentadores da sociedade de controle. É por esse mesmo
sentido que Debord proclamava, mais profeticamente do que
pretendia como ativista situacionista, que havia um modo de
dar voz a qualquer cidadão. Aqui sim, do Situacionismo à web

3, acho que temos um caminho a ser considerado e estudado
como novidade. Concordo plenamente com você Mari-Jô: o
Presente está gritando muito alto as palavras de emancipação
e autonomia para o cidadão comum em termos de comunicação,

exatamente daquilo que as grandes corporações de comunicação
morrem de medo. Sendo assim, acho que temos que buscar novos

instrumentos de análise para compreender tamanho movimento

de emancipação cultural e comunicacional. Como de hábito,
vai aparecer ainda muita gente psicanalisando o movimento
twitter, ou coisa que o valha, como se bastasse, para dar
conta de toda a realidade em questão, colocar o sujeito em

um laboratório higienizado ou em um divã distante anos luz
de discussões sobre a sociabilidade. Nada contra a

investigação sobre a individualidade, mas isso não é
suficiente e nem predominante para compreender o que
acontece nesse início de século XXI, os efeitos do encontro
de movimentos sociais e da cultura da convergência.
Portanto, para ampliarmos o alcance de nossa visão sobre o
contemporâneo e o urgente, eu gostaria de convidar os

colegas da prática e da teoria da Comunicação a trabalharmos
com instrumentos próprios e novos da nossa área.

Vicente Gosciola
Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em
Comunicação Da Universidade Anhembi Morumbi. Doutor em
Comunicação pela PUC-SP. Autor do livro “Roteiro para as
novas mídias: do cinema às mídias interativas
” ( 2a. ed.,
Senac, 2008 ). Publica, pesquisa e presta consultoria nas
seguintes áreas: novas mídias, novas tecnologias, cinema,
vídeo, televisão, comunicação, narrativa não-linear,
narrativa interativa, roteiro, interatividade, TV
interativa, hipermídia, tecnologia e estilo
cinematográficos, cinema brasileiro, edição não-linear
digital, novas tecnologias e sociabilidades, cultura
colaborativa, cultura da convergência, web TV, game, A.R.G.
E-mail: vgosciol@uol.com.br

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Terremoto ao vivo e/ou a sociedade do espetáculo

A notícia do terremoto na China, amplamente divulgada em todos os meios, levanta algumas questões. Uma delas é a transmissão do tremor ao vivo. A segunda está atrelada à obra “A Sociedade do Espetáculo“, do filósofo francês marxista, situacionista, estruturalista e pós-estruturalista Guy Debord, morto em 1994.

Enquanto o chão tremia, um estudante do Instituto Jingshan da Universidade de Sichuan, a 100 km do epicentro, protegeu-se embaixo de um móvel do seu quarto no alojamento do campus. Simultaneamente começou a filmar o que acontecia à sua volta, conversando com outro colega, que tentava calçar seus tênis.

Os protagonistas, no entanto, eram trêmulos objetos que caíam pelo chão. Mais: o dono da câmera gritava ao colega para que entrasse online e avisasse outras pessoas. Minutos depois, essa imagem foi vista por milhares de internautas.

Horas mais tarde, os rumores tomaram a região. E donos de celulares na capital de Sichuan espalharam notícias por meio de serviços online, entre eles o Twitter e o Fanfou, redes que permitem postar microtextos de até 140 caracteres.

Que o celular é mais rápido na transmissão de informações, ninguém duvida. É literalmente o telefone sem fio, alusão a uma brincadeira de uma geração que mal imaginava que conviveria com a era da comunicação móvel.

E por que esperar pela oficialização da informação, que precisa de produção e elaboração para a transmissão na mídia televisiva e radiofônica, o que dirá a impressa?

Em situações de emergência, qualquer um se vale do que tem em mãos para pedir socorro. Histórias não faltam. Em artigo publicado no The Wall Street Journal (verssão em PDF) e traduzido para o português pelo Valor Econômico (versão em PDF para quem não é assinante), o leitor lê um depoimento que diz ser pouco provável que as informações divulgadas nesses serviços, como o Twitter, estejam erradas, uma vez que elas servem para avisar familiares e amigos, diferentemente dos blogs que exigem mais tempo para escrever.

Voltando à sociedade do espetáculo da qual fazemos parte e produzimos, a psicanalista Maria Rita Kehl defende no artigo “O espetáculo como meio de subjetivação” muito bem a questão da passagem conceitual da indústria cultural (Adorno) para a sociedade do espetáculo (Debord).

A leitura do texto de Maria Rita Kehl é, mais do que obrigatória, necessária para refletir “os efeitos dessa obra ‘total’ da televisão, transmitida por um veículo que é doméstico, cotidiano, onipresente…”.

Seu artigo foi publicado em 2003, quando as mensagens instantâneas ainda pairavam em um mundo circunscrito de internautas com seus grupos, também conhecidos por infoansiosos.

Logo após vieram as redes sociais, no Brasil, a mais popular delas é a Orkut. Em pouco tempo o celular miniaturizou-se ainda mais e passou a incorporar mais funções, antes restritas ao computador de mesa ou portátil, que incluem fotografar, filmar e estar 24 horas conectado na internet.

Na última semana de abril, a CNN noticiou como James Buck, fotógrafo e estudante universitário, livrou-se da prisão em Mahalla, no Egito, com a ajuda do Twitter, avisando o mundo que estava sendo preso.

No dia do terremoto chinês, outro estudante filma os abalos e posta na web.

Diante desses espetáculos, pinço uma frase do artigo de Maria Rita Kehl, que serve de provocação: “Existir é fazer-se imagem para o outro…”.

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Celular = giz = lápis = a qualquer ferramenta?

Ok, o celular é uma ferramenta. O computador também. A chave de fenda, idem. Assim como o lápis, o giz e a lousa.
Educadores têm se perguntado se o celular não é apenas mais uma ferramenta para o ensino.
Afinal, o que importa é apenas o conteúdo, além da didática do professor?
Concordo em parte.
Os bilhetinhos trocados em papeizinhos por alunos em sala não têm de longe a dimensão de um filmete gravado enquanto o professor comanda sua aula. Em questão de minutos, o conteúdo sobe ao YouTube. Em questão de horas, dependendo da mensagem, ela se espalha e vai parar nas mídias. Impressa, televisiva, eletrônica.
O que prova que o celular invade o espaço antes restrito ao comando do professor, criando um paradoxo entre o público e o privado.

Learning Sciences Research Institute

Para discutir esse tema polêmico, fui atrás de Mike Sharples, um dos maiores especialistas em mobile learning. O professor Sharples dirige o Learning Sciences Research Institute da University of Nottingham e tem um currículo extenso nessa área.

Suas pesquisas incluem design de novas tecnologias para o aprendizado e, entre os trabalhos concluídos, merecem destaque A Theory of Learning for the Mobile Age, em parceria com Josie Taylor e Giasemi Vavoula, e o Handheld Learning Resourse, um projeto com a Kodak e a BT para desenvolver tecnologias móveis para o aprendizado.
Um dos resultados de suas pesquisas é o My Art Space, um serviço interativo, que permite que visitantes de museus e galerias coletem informações das expocições com seus celulares.
A entrevista com Mike Sharples foi gravada pelo Skype e será editada, com direito à tradução, para virar podcast no VoIT, dirigido pelo jornalista Orlando Guido, que, gentilmente, me convidou para um trabalho em parceria.
Ouça aqui a íntegra da entrevista.

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O lugar do privado no espaço público

Cabine pública para ligações de celular em Copenhagen

Cabine pública para atender celulares em Copenhagen – foto do blog Future Perfect

Cabine para falar pelo telefone celular em locais públicos em hospital de Tóquio

Cabines públicas para atender celulares em hospital de Tóquio – foto do blog Future Perfect

As duas imagens foram registradas no blog Future Perfect do antropólogo Jan Chipchase, um andarilho e pesquisador que esquadrinha centenas de cidades pelo mundo para saber como os habitantes interagem com celulares em seu dia-a-dia.

As fotos pedem uma reflexão: o lugar do celular no espaço público.

No lounge (sala de espera) da SAS no aeroporto de Copenhagen, uma cabine com design moderno pede aos usuários de celulares para que falem suavemente no local ou, então, se dirijam ao interior do espaço.

No hospital de Ochanomizu, em Tóquio, o uso do telefone móvel é restrito a cabines de telefones públicos. Confinado a um espaço envidraçado, o dono do celular talvez possa falar no tom de voz que lhe for conveniente.

Pergunto: o celular não foi concebido para ser usado em qualquer lugar? Essas cabines exercem o papel de um espaço privado? Algumas têm cadeiras, outras ajudam o usuário com um bloco para eventuais anotações.

Em uma sociedade contemporânea na qual o espaço público equivale ao espaço da liberdade do indivíduo, as cabines telefônicas voltam a colocar fronteiras entre o privado e o público, algo que as tecnologias nômades vêm tornando indistinto.

Jan Chipchase acrescenta ainda que a cabine no espaço da SAS tem dois papéis: “O mais óbvio, um espaço dedicado em que viajantes podem bater papo; o outro é u ma forma sutil e criativa de lembrar os usuários das normas sociais do espaço”.

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Mobile learning / m-learning: o celular na educação

Educadores de olho em novas ferramentas de aprendizado. Em Portugal. No Canadá, na África do Sul e Grã-Bretanha.

Adelina Moura é professora do Ensino Secundário (o equivalente ao Ensino Médio no Brasil) em Braga, a 45 km da cidade do Porto, onde aconteceu em março um incidente em sala de aula, divulgado à exaustão na mídia local e no YouTube, que merece reflexão.

Ela será a entrevistada na sexta-feira, dia 18, às 19h, web-rádio do Centro Cultural Bradesco. Adelina vai relatar sua experiência em sala de aula com a geração que vive com um “telemóvel”, como se diz em Portugal, grudado no corpo. Ela é autora do Geração Móvel. Em uma época em que esse aparelho transformou-se na identidade do indivíduo, a professora prepara seu doutorado, refletindo e questionando os usos e como construiur mais ferramentas para a educação.

Já pedi entrevista ao premiado Kumaras Pillay, professor que implementou uma dinâmica bastante interessante na África do Sul nas disciplinas de ciências e matemática. Aguardo resposta, pois será muito interessante ouvir esse educador que dá aulas em um país que aposta hoje em tecnologia móvel por um motivo bastante óbvio: o investimento na infra-estrutura para oferecer celulares é bem mais em conta do que a telefonia fixa, uma vez que não é preciso cabear o país. Em vez da fibra óptica entra a torre de transmissão.

Também já pedi entrevista a dois especializados em mobile-learning. Minha idéia é conversar ao vivo com o professor e diretor Mike Sharples do Learning Sciences Research Institute na Universidade de Nottingham.

Consegui ainda contato, via Skype, com Mark A. Kramer, pesquisador e doutorando no Centro de Estudos Avançados e Pesquisa em Comunicação da Informação & Sociedade na Universidade de Salzburg, que já respondeu de seu celular que topa falar na próxima semana.

Na sexta-feira passada, dia 11, entrevistei o consultor em educação Dean Shareski, autor do Ideas & Thoughts, que narrou a adoção do celular em sala de aula em uma escola pública no Canadá.

Estréia em portal de podcast – Além de poder ouvir as entrevistas ao vivo na na web-rádio do CCB, em breve este blog fará parte do VoIT, um portal de podcasts de tecnologia e negócios, política, cultura. Dirigido pelo jornalista Guido Orlando Jr., esse portal é parceiro do UOL em conteúdo, com visitas únicas medidas em centenas de milhares.

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Estatísticas de terças

Wireless Intelligence Database

Um pouco de cifras para os que vivem a contar números – É sempre bom relembrar: o planeta é habitado por 6,5 bilhões de pessoas e há 3,3 bilhões de linhas de celulares.

Quer mais estatísticas? Aí vão: o Instituto Wireless Intelligence divulgou recentemente que a marca de um primeiro bilhão de celulares vendidos em todo o mundo levou 20 anos para ser atingida, precisamente em 2002.

O segundo bilhão de aparelhos despejados no mercado aconteceu em quatro anos, e o terceiro bilhão foi amealhado em dois anos pela população mundial.

ITU Corporate Annual Report 2007

Uma comparação para dar uma dimensão ao leitor: o planeta levou 125 anos para somar um bilhão de linhas fixas. Esse dado é da International Telecommunication Union, que oferece ao interessado o ITU Corporate Annual Report 2007, recheado de cifras.

Se até a metade de 2007 o planeta já atingira a cifra de 3 bilhões de linhas, vale também destacar que o número de usuários de internet no mundo todo alcançou 1,2 bilhão no final de 2006, com 280 milhões de assinantes mundiais de banda larga. Desse total, 70% está localizado em países com PIB decente.

A ITU também revela que no final de 2006, 68% dos assinantes de telefonia móvel eram de países emergentes. Isso talvez explique porque os governos em países na África e na Ásia começam a deixar de lado os investimentos na construção de redes de telefonia fixa, incentivando o surgimento de novas torres.

A infra-estrutura para a construção de uma rede de telefonia móvel parece bem mais atraente do ponto de vista econômico: é cara a construção assim como a manutenção rede de telefones fixos, além de exigir um endereço do assinante e uma taxa mensal pela linha.

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O paradeiro da moeda da menina-cofrinho

Quem tem mais de 25 anos pertence à geração do cofrinho de porcelana. Aquele porquinho cor-de-rosa, no qual eram depositadas moedas e quando já não cabia mais nada, a única solução era quebrá-lo para poder  contar o saldo e correr para comprar alguma guloseima. Dava pena vê-lo espatifar-se, mas…

Nos tempos de hoje, os cofrinhos oferecidos como mimos pelos bancos são de plástico, com uma tampa removível, localizada na parte de baixo, e mais lembram um brinquedo. Nada frágeis. Duráveis até.

Bingo: minha filha caçula de 6 anos ganhou um de um banco, que distribuiu dezenas de seus semelhantes na Campus Party com aparência de monstrinho. Verde, simpático. Ela colocou suas moedas e em poucos minutos descobriu que podia abri-lo. Em 30 minutos, a tampa escafedeu-se pelo quarto, resvalando no buraco negro da caixa de brinquedos.

Qual é a graça então? Não há aquela ansiedade de ficar contando os dias, na verdade meses, até esperar o recipiente ficar abarrotado. Hoje você abre o seu cofrinho pelos fundos, e lá estão as moedas. A brincadeira de acumular perde o seu valor.

E na era do cartão de plástico, então! Os adolescentes já ganham suas contas bancárias com cartão de débito, de crédito, e aquele jogo de contar e restar vai para o espaço. Literalmente. Porque o mundo digital tem outra dinâmica. Você entra na internet, confere seu saldo, se tiver crédito especial, consulta a taxa de juros, se precisar, entra no vermelho. Se não quiser se ferrar, pede para que seu pai transfira uma grana para sua conta e acabaram os seus problemas. Aparentemente. Em alguns casos, os progenitores mantêm esse suporte para a vida toda. Afinal, basta digitar os números da sua agência e conta corrente e passar digitalmente o dim-dim para o pimpolho.

E a menina-cofrinho? Para quem acompanhou a história da menina-cofrinho, uma boa notícia: a moeda saiu pelos fundos. Já era esperado. Os médicos do Hospital Universitário previram que poderia levar até uma semana. Dito e feito, ela desceu na sexta-feira. Nesse dia chegou-se também à conclusão óbvia de que moedas não costumam passar pelo vaso sanitário. O metal é pesado. E, pasmem, era uma modeda de 50 centavos, a versão mais gordinha.

Relógio de pulso? – Nos dias de hoje, algum de vocês já se deu ao trabalho de observar se crianças de 11 anos usam relógio de pulso? Que nada, isso é do século passado. Para quê? Hoje a maioria da molecada checa, na tela do celular, o horário das aulas, principalmente quando faltam minutos intermináveis para bater o sinal.

Mobile learning Na sexta-feira, dia 11, entrevistei Dean Shareski, um consultor em educação no Canadá. A transmissão foi ao vivo pela na web-rádio do Centro Cultural Bradesco. Ele relatou sua experiência em um colégio no Canadá, onde os alunos do 9º ano usaram celulares em sala de aula como uma ferramenta para atividades de literatura. Aí vai um trecho da entrevista, em podcast. Interview with Dean Shareski, an educational consultant from Canada.

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Celular: ferramenta na educação e a menina-cofrinho

Notícias da menina-cofrinho – após sete dias de espera, a moeda (25 centavos ou 1 real) continua alojada no corpo de minha caçula. Os médicos estabeleceram uma data-limite: sexta-feira, quando ela será submetida a um terceiro raio-x para poder monitorar sua trajetória e certificar-se se ela já foi para o intestino – como se vê, um longo caminho a ser percorrido.

No futuro, é bem provável que as crianças saiam do útero já dotadas de chips GPS (sistema de posicionamento global), que permitirão que os pais monitorem seus filhos, mantendo um falso controle sobre eles. Essa tecnologia avançada não impedirá, no entanto, que crianças continuem engolindo moedas ou brinquedinhos.

O celular na educação – para o mesmo dia, está confirmada novamente minha presença na oficina sobre o uso do celular como ferramenta na educação da criançada. Convido, portanto, os leitores a sintonizar às 21h (horário de Brasília -3GMT) na rádio Online do Centro Cultural Bradesco. Quem quiser participar com perguntas pode fazê-lo de duas formas: pelo Skype, bastando adicionar na sua conta os contatos Zilveti ou Gilson Schwartz, curador do CCB e professor de Iconomia da ECA-USP. Quem tem computador poderoso com placa de vídeo pode entrar no Second Life e sentar-se em uma das cadeiras do auditório virtual.

A idéia da oficina é refletir sobre o uso do celular como ferramenta na educação. Em inglês, usam-se alguns termos, entre eles mobile learning ou m-learning. Nos tempos de hoje, em que crianças tiram fotos e filmam com celulares, subindo imediatamente o material para o YouTube ou o Flickr, e o velho bilhetinho passado de mão em mão foi substituído pelas mensagens de texto, o educador se encontra em uma encruzilhada.

Não está em questão se o celular deve ser coibido em sala de aula. O governador do Estado de São Paulo já sancionou uma lei proibindo seu uso na rede escolar. Vale lembrar que, antes da Páscoa, uma aluna agrediu uma professora em uma escola pública na cidade do Porto. Assistido milhares de vezes, esse vídeo produzido por alunos durante a aula foi ao ar pela cadeia da televisão portuguesa e virou manchete de jornais. As lições que ele deixa são inegáveis. Uma delas é a relação de poder entre o professor e os alunos fora das quatro paredes do sacrossanto lar.

Como transformar o celular em um aliado do professor? Há pelo menos dois exemplos relevantes que mostram sua utilização a favor do educador. O que prova a atualidade do velhíssimo ditado “se você não pode com seu inimigo, junte-se a ele”.

Em um país onde apenas 20% da população tem acesso à energia elétrica, porém mais de 80% dos habitantes possuem celulares, principalmente os jovens, Kumaras Pillay, da província de KwaZulu Natal, mudou a dinâmica da sala de aula, ao adotar um projeto nas disciplinas de matemática e ciências.

Pillay criou um portal de telefonia móvel que exerce o papel de tutor para os estudantes dessas disciplinas. A idéia é simples: ajudar os alunos a entender o conteúdo de uma outra forma. O portal Mobile Learner contém exercícios complementares às aulas. Os alunos formam grupos e fazem pesquisas pelo celular, aumentando seu interesse nas salas.

O consultor em tecnologia móvel para a educação Dean Shareski, no Canadá, participou de uma experiência interessante em um colégio. Os alunos dois oitavos e nonos anos estudavam o livro “The Wave”, que põe em xeque vários conceitos. Por sinal, ética é um deles. Onde entra o celular? Para os alunos, ele não é nenhuma novidade, pois são de uma geração que já nasceu fotografando com esse aparelho. Filmar e postar na web faz parte do seu cotidiano.

Uma das propostas em sala de aula foi discutir regras de etiqueta, privacidade, segurança e limite. Eles também descobriram que seus telefones poderiam servir para gravar anotações e criar conteúdo multimídia para a sala de aula, além de utilizá-lo como organizador do dia-a-dia. Descobriram que a conexão sem fio, conhecida por Bluetooth, era excelente para trocar arquivos. Dessa forma, eles puderam criar resumos das discussões em grupo, usando videoclipes e fazendo gravações de áudio.

O leitor quer mais? Agora é esperar para ouvir minha oficina. Já pedi entrevista a Dean Shareski e nossa conversa deve ser gravada pelo Skype. E repito o convite: compareçam na sexta-feira, dia 10, às 21h, na rádio Online, pelo Skype ou pelo Second Life.

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Impacto socio-econômico do celular na América Latina II

Na África do Sul, 80% da população tem celulares. Eles são mais presentes que computadores por motivo óbvio: o preço.
É bom recapitular que empresas do porte da Microsoft, Motorola, Nokia e Siemens têm investido em países emergentes do continente africano, subsidiando infra-estrutura de rede e uso para que a população possa ter acesso à mobilidade. Um termo de apropriação do celular foi criado ou recriado pelo professor François Bar, da Univerisity Southern California: creolização ou canibalização do celular.

Abaporu Project

Totem do Abaporu Project, que se apropria do quadro de Tarsila do Amaral, que inspirou o Manifesto Antropofágico

Trata-se do seguinte: apropriação do aparelho para outras aplicações não criadas pelos fabricantes ou operadoras. Um exemplo: em alguns países da África, o celular virou orelhão. Ou seja, é um telefone comunitário. Trata-se de um paradoxo, uma vez que o celular foi pensado e desenvolvido para ser de uso pessoal. Outro exemplo: na África, é possível usar o celular como se fosse um caixa eletrônico. Em outras palavras, o dono de um celular pré-pago usa seus créditos como moeda e os transfere para outro usuário.

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Brasil: no ranking de celulares x população desconectada

No final de fevereiro, foi divulgado pela União Internacional de Telecomunicações (ONU) que o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking entre os que mais atraíram novos assinantes em telefonia móvel. O país perde, hoje, para a China e para a Índia.
Alguns números
Estima-se que 123 milhões de telefones celulares estejam em uso. O Distrito Federal registra uma taxa de 119,15 celulares por cada 100 habitantes. A cidade do Rio de Janeiro é a segunda colocada, com 80,54 linhas. Ah, o sistema pré-pago ocupa 80,76% do bolo e 19,24% representam o mercado de pós-pago.
Aos paradoxos
Na África do Sul, 80% da população tem celulares. Eles são mais presentes que computadores por motivo óbvio: o preço.
É bom recapitular que empresas do porte da Microsoft, Motorola, Nokia e Siemens têm investido em países emergentes no continente africano, subsidiando infra-estrutura de rede e uso para que a população possa ter acesso à telefonia móvel. O projeto Nokia Siemens Networks Village Connection, por exemplo, permite que a conexão chegue a milhões de habitantes em áreas rurais por US$ 3 mensais.
Não é à toa que a atriz global Regina Case, durante a gravação de um programa em Moçambique, pensava estar no século 19 ao ver uma senhora moendo farinha e voltou ao século 21, quando ouviu um ringtone. A senhora largou seus afazeres, sacou o celular de algum bolso de sua saia e atendeu o telefonema. A atriz fez esse relato ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que o reproduziu no Campus Party, durante entrevista.
Pois aqui no Brasil, cidades de 13 mil habitantes, como Morpará (BA), ainda não têm antena de transmissão. Traduzindo, o celular não existe. Mais: nesses municípios, o acesso à internet se dá por satélite. A prefeitura tem acesso em sua sede, e o telecentro local, dotado de 10 computadores, tem apenas seis que funcionam, permitindo o acesso à web.
Ou seja, ocupamos o terceiro posto no ranking de países que atraem novos assinantes em telefonia móvel, com teledensidade em grandes centros urbanos, mas contamos com cidades, cuja população tem acesso a seis computadores.

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Etienne Delacroix prega arte e tecnologia

 

Etienne Delacroix em oficina no Campus Party Brasil

Cenário iluminado de Etienne Delacroix

Fotos: Fernando Cavalcanti

O físico belga e pesquisador Etienne Delacroix é conhecido pela sua militância no terreno que mescla tecnologia, arte e inclusão.
Para conhecer o trabalho desse artista-físico e pesquisador do MIT no Campus Party, é preciso aderir à proposta de Delacroix para o uso da arte para estruturar a experiência do desconhecido. Em várias mesas improvisadas, há uma espécie de exposição de trabalhos realizados por várias comunidades de crianças, adolescentes e adultos de periferias de todo o Brasil.
O ofício de Delacroix consiste em usar peças de computador antigas para criar arte digital. Ele mescla canos de PVC, borracha e componentes eletrônicos e sugere que os envolvidos discutam para, em seguida, partir para a criação de um objeto.
Apesar de Delacroix gostar de música, sua vida profissional começou pela física. Ele começou a estudar essa ciência por instinto. “Depois de muitos anos de estudar física, me dei conta de que estava chegando aos limites da percepção, preparando-me para fazer arte.” Começou, então, a pintar e a explorar os algoritmos dos gestos.
No Campus Party, seu trabalho começa com uma palestra, na qual ele detalha que a necessidade de articular bits, átomos e linguagem é primordial. Ele fala um português mesclado ao espanhol, ao inglês, ao alemão e ao francês.
O que prova seu nomadismo para pregar arte e tecnologia.
Este nômade pontua sua fala e chama a atenção para o fato de haver 3 bilhões de pessoas espalhadas pelo planeta usando computadores. “Você sabe quanto isso gera de lixo digital?”
Ele provoca o público com uma apresentação que mostram um garoto diante de uma tela. Na imagem ao lado, há um chip ou uma imagem de zeros e uns. “Ninguém consegue dimensionar que diante do monitor há uma sucessão de bits.”
Em seguida, parte-se para a prática, que exige concentração em meio ao áudio dos workshops que acontecem simultaneamente. Depois de se desconectar do ambiente, o participante entra em um outro mundo, no qual ele começa a questionar o papel de um componente.
Ao final de algumas horas, os campuseiros compartilham suas obras, fotografam, conversam e as deixam para exposição. Delacroix me confessa baixinho que está um pouco cansado de ser nômade. Chegou aos 60 completamente desterrado sem laços ou vínculos. Quer voltar para a Bélgica e continuar seu trabalho conectado com o mundo.
Conversar com este nômade deveria ser obrigatório. Por horas a fio. Arte na educação. Arte para os sentidos. Quem esteve in loco pôde ou pode, até sábado, dar-se ao trabalho de observar detalhes de toda a construção de cada objeto.

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