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Estatísticas de terças

Wireless Intelligence Database

Um pouco de cifras para os que vivem a contar números – É sempre bom relembrar: o planeta é habitado por 6,5 bilhões de pessoas e há 3,3 bilhões de linhas de celulares.

Quer mais estatísticas? Aí vão: o Instituto Wireless Intelligence divulgou recentemente que a marca de um primeiro bilhão de celulares vendidos em todo o mundo levou 20 anos para ser atingida, precisamente em 2002.

O segundo bilhão de aparelhos despejados no mercado aconteceu em quatro anos, e o terceiro bilhão foi amealhado em dois anos pela população mundial.

ITU Corporate Annual Report 2007

Uma comparação para dar uma dimensão ao leitor: o planeta levou 125 anos para somar um bilhão de linhas fixas. Esse dado é da International Telecommunication Union, que oferece ao interessado o ITU Corporate Annual Report 2007, recheado de cifras.

Se até a metade de 2007 o planeta já atingira a cifra de 3 bilhões de linhas, vale também destacar que o número de usuários de internet no mundo todo alcançou 1,2 bilhão no final de 2006, com 280 milhões de assinantes mundiais de banda larga. Desse total, 70% está localizado em países com PIB decente.

A ITU também revela que no final de 2006, 68% dos assinantes de telefonia móvel eram de países emergentes. Isso talvez explique porque os governos em países na África e na Ásia começam a deixar de lado os investimentos na construção de redes de telefonia fixa, incentivando o surgimento de novas torres.

A infra-estrutura para a construção de uma rede de telefonia móvel parece bem mais atraente do ponto de vista econômico: é cara a construção assim como a manutenção rede de telefones fixos, além de exigir um endereço do assinante e uma taxa mensal pela linha.

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Impacto socio-econômico do celular na América Latina II

Na África do Sul, 80% da população tem celulares. Eles são mais presentes que computadores por motivo óbvio: o preço.
É bom recapitular que empresas do porte da Microsoft, Motorola, Nokia e Siemens têm investido em países emergentes do continente africano, subsidiando infra-estrutura de rede e uso para que a população possa ter acesso à mobilidade. Um termo de apropriação do celular foi criado ou recriado pelo professor François Bar, da Univerisity Southern California: creolização ou canibalização do celular.

Abaporu Project

Totem do Abaporu Project, que se apropria do quadro de Tarsila do Amaral, que inspirou o Manifesto Antropofágico

Trata-se do seguinte: apropriação do aparelho para outras aplicações não criadas pelos fabricantes ou operadoras. Um exemplo: em alguns países da África, o celular virou orelhão. Ou seja, é um telefone comunitário. Trata-se de um paradoxo, uma vez que o celular foi pensado e desenvolvido para ser de uso pessoal. Outro exemplo: na África, é possível usar o celular como se fosse um caixa eletrônico. Em outras palavras, o dono de um celular pré-pago usa seus créditos como moeda e os transfere para outro usuário.

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Brasil: no ranking de celulares x população desconectada

No final de fevereiro, foi divulgado pela União Internacional de Telecomunicações (ONU) que o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking entre os que mais atraíram novos assinantes em telefonia móvel. O país perde, hoje, para a China e para a Índia.
Alguns números
Estima-se que 123 milhões de telefones celulares estejam em uso. O Distrito Federal registra uma taxa de 119,15 celulares por cada 100 habitantes. A cidade do Rio de Janeiro é a segunda colocada, com 80,54 linhas. Ah, o sistema pré-pago ocupa 80,76% do bolo e 19,24% representam o mercado de pós-pago.
Aos paradoxos
Na África do Sul, 80% da população tem celulares. Eles são mais presentes que computadores por motivo óbvio: o preço.
É bom recapitular que empresas do porte da Microsoft, Motorola, Nokia e Siemens têm investido em países emergentes no continente africano, subsidiando infra-estrutura de rede e uso para que a população possa ter acesso à telefonia móvel. O projeto Nokia Siemens Networks Village Connection, por exemplo, permite que a conexão chegue a milhões de habitantes em áreas rurais por US$ 3 mensais.
Não é à toa que a atriz global Regina Case, durante a gravação de um programa em Moçambique, pensava estar no século 19 ao ver uma senhora moendo farinha e voltou ao século 21, quando ouviu um ringtone. A senhora largou seus afazeres, sacou o celular de algum bolso de sua saia e atendeu o telefonema. A atriz fez esse relato ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que o reproduziu no Campus Party, durante entrevista.
Pois aqui no Brasil, cidades de 13 mil habitantes, como Morpará (BA), ainda não têm antena de transmissão. Traduzindo, o celular não existe. Mais: nesses municípios, o acesso à internet se dá por satélite. A prefeitura tem acesso em sua sede, e o telecentro local, dotado de 10 computadores, tem apenas seis que funcionam, permitindo o acesso à web.
Ou seja, ocupamos o terceiro posto no ranking de países que atraem novos assinantes em telefonia móvel, com teledensidade em grandes centros urbanos, mas contamos com cidades, cuja população tem acesso a seis computadores.

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Celular compartilhado na Índia e na África

Phone Use Shared Essay

O antropólogo Jan Chipchase sabe o que diz. Em suas andanças por arrabaldes, esquadrinhando cidades em todo o mundo, ele conclui que o crescimento da indústria da telecomunicação acontece hoje em mercados emergentes. Verificou in loco que para os novos consumidores da Índia e países da África, a primeira experiência do celular é de uso compartilhado. Em seu blog, leia o artigo “Shared phone use”, que analisa o compartilhamento nessas regiões, nas quais o termo compartilhar significa emprestar e pedir emprestado, diferentemente do sentido de compartilhar para mostrar as fotos da última viagem. O que acontece quando as pessoas dividem um objeto que foi concebido uso pessoal, questiona Chipchase. A pergunta que paira no ar é: se o telefone móvel foi feito para utilização individual e é compartilhado, ele deveria ser redesenhado?

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