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Etienne Delacroix prega arte e tecnologia

 

Etienne Delacroix em oficina no Campus Party Brasil

Cenário iluminado de Etienne Delacroix

Fotos: Fernando Cavalcanti

O físico belga e pesquisador Etienne Delacroix é conhecido pela sua militância no terreno que mescla tecnologia, arte e inclusão.
Para conhecer o trabalho desse artista-físico e pesquisador do MIT no Campus Party, é preciso aderir à proposta de Delacroix para o uso da arte para estruturar a experiência do desconhecido. Em várias mesas improvisadas, há uma espécie de exposição de trabalhos realizados por várias comunidades de crianças, adolescentes e adultos de periferias de todo o Brasil.
O ofício de Delacroix consiste em usar peças de computador antigas para criar arte digital. Ele mescla canos de PVC, borracha e componentes eletrônicos e sugere que os envolvidos discutam para, em seguida, partir para a criação de um objeto.
Apesar de Delacroix gostar de música, sua vida profissional começou pela física. Ele começou a estudar essa ciência por instinto. “Depois de muitos anos de estudar física, me dei conta de que estava chegando aos limites da percepção, preparando-me para fazer arte.” Começou, então, a pintar e a explorar os algoritmos dos gestos.
No Campus Party, seu trabalho começa com uma palestra, na qual ele detalha que a necessidade de articular bits, átomos e linguagem é primordial. Ele fala um português mesclado ao espanhol, ao inglês, ao alemão e ao francês.
O que prova seu nomadismo para pregar arte e tecnologia.
Este nômade pontua sua fala e chama a atenção para o fato de haver 3 bilhões de pessoas espalhadas pelo planeta usando computadores. “Você sabe quanto isso gera de lixo digital?”
Ele provoca o público com uma apresentação que mostram um garoto diante de uma tela. Na imagem ao lado, há um chip ou uma imagem de zeros e uns. “Ninguém consegue dimensionar que diante do monitor há uma sucessão de bits.”
Em seguida, parte-se para a prática, que exige concentração em meio ao áudio dos workshops que acontecem simultaneamente. Depois de se desconectar do ambiente, o participante entra em um outro mundo, no qual ele começa a questionar o papel de um componente.
Ao final de algumas horas, os campuseiros compartilham suas obras, fotografam, conversam e as deixam para exposição. Delacroix me confessa baixinho que está um pouco cansado de ser nômade. Chegou aos 60 completamente desterrado sem laços ou vínculos. Quer voltar para a Bélgica e continuar seu trabalho conectado com o mundo.
Conversar com este nômade deveria ser obrigatório. Por horas a fio. Arte na educação. Arte para os sentidos. Quem esteve in loco pôde ou pode, até sábado, dar-se ao trabalho de observar detalhes de toda a construção de cada objeto.

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Computer Party: primeiro, segundo e terceiro dias

Um olhar sobre a féerica feira Campus Party na Bienal do Ibirapuera com números oficiais e extra-oficiais.
Pouco importam as estatísticas. O registro é válido.

Sergio Amadeu, Marcelo Branco e Paco Ragageles

Fotos: Fernando Cavalcanti

Na imagem acima, na mesa, Sérgio Amadeu, diretor de conteúdo, Marcelo Branco, diretor-geral, e Paco Ragageles, co-fundador, do Campus Party, durante coletiva no final da tarde da segunda-feira, dia 11

Rosa e azul

Rosa e azul

Gilberto Gil e Marcelo Branco Campus Party

Ministro da Cultura Gilberto Gil em ritmo de Campus Party

O músico ministro da cultura Gilberto Gil com dupla da Reac Table

Gil na mesa da dupla espanhola Reac Table

Rainha da bateria Roberta Kelly da escola de samba Nenê da Vila Matilde

A rainha da bateria Roberta Kelly e ritmistas da escola de samba Nenê da Vila Matilde contagiam campuseiros na abertura oficial do Campus Party Brasil

Robô Quasi em contagem regressiva no Campus Party

O robô Quasi balbucia a contagem regressiva pouco antes da meia-noite

Heather Champ, do Flickr

No primeiro dia oficial, com os campuseiros já devidamente instalados, Heather Champ, diretora-geral de comunidades do Flickr, viciada em fotografar, confessa que prefere câmeras com filmes às digitais

Marcelo Tas, Miranda e Luiza

Marcelo Tas, Miranda e Luiza em tentativa de debate, que acabou sendo monopolizado pelo diretor-geral do evento, Marcelo Branco.
Ok, no problem.
Durante o bate-bola, Branco foi contundente. Convocou todos para um protesto contra a criminalização do download P2P.
A platéia delirou. Tas tratou de pôr panos quentes.
Foi bárbaro. Mais tarde, houve quem achasse que aquela fala era “coisa de comunista”. Preconceito de quem não sabe lidar com a diferença. Seguramente. Todos sabem que Branco é ativista. Militante até o último fio de cabelo. Com toda sua militância e pragmatismo, ele conseguiu fazer um evento, com uma grande equipe, no qual ninguém dava o menor crédito.
A imprensa saiu correndo atrás do prejuízo, quando viu as filas que se formavam na segunda-feira. Nem mesmo os organzadores, nervosos com razão, imaginavam o que estava para acontecer.
A fala de Branco é incendiária. Palmas para ele. É necesário bancar essa hipocrisia que as gravadoras deitam e rolam no jornalismo chapa branca bancado pela mídia impressa e 0nline.
Aliás, como lembrou o blogueiro Marcelo Tas,  com sua hipótese, “as gravadoras acabaram porque todos têm gravadores em casa”.

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Fila Computer Party ao meio-dia

Fila #cparty 1º dia

Originally uploaded by mzilveti

Cabeludos, roupa preta, comportados, estrangeiros. Tem de tudo na fila do primeiro dia do Campus Party Brasil, no prédio da Bienal do parque Ibirapuera. Já entrevistei dois professores peruanos que vieram de Arequipa e estão “animosos” com o que vem por aí. Um evento para reunir gente geek, nerd, micreiro e simpatizantes durante uma semana acampados no segundo andar.

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