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O paradeiro da moeda da menina-cofrinho

Quem tem mais de 25 anos pertence à geração do cofrinho de porcelana. Aquele porquinho cor-de-rosa, no qual eram depositadas moedas e quando já não cabia mais nada, a única solução era quebrá-lo para poder  contar o saldo e correr para comprar alguma guloseima. Dava pena vê-lo espatifar-se, mas…

Nos tempos de hoje, os cofrinhos oferecidos como mimos pelos bancos são de plástico, com uma tampa removível, localizada na parte de baixo, e mais lembram um brinquedo. Nada frágeis. Duráveis até.

Bingo: minha filha caçula de 6 anos ganhou um de um banco, que distribuiu dezenas de seus semelhantes na Campus Party com aparência de monstrinho. Verde, simpático. Ela colocou suas moedas e em poucos minutos descobriu que podia abri-lo. Em 30 minutos, a tampa escafedeu-se pelo quarto, resvalando no buraco negro da caixa de brinquedos.

Qual é a graça então? Não há aquela ansiedade de ficar contando os dias, na verdade meses, até esperar o recipiente ficar abarrotado. Hoje você abre o seu cofrinho pelos fundos, e lá estão as moedas. A brincadeira de acumular perde o seu valor.

E na era do cartão de plástico, então! Os adolescentes já ganham suas contas bancárias com cartão de débito, de crédito, e aquele jogo de contar e restar vai para o espaço. Literalmente. Porque o mundo digital tem outra dinâmica. Você entra na internet, confere seu saldo, se tiver crédito especial, consulta a taxa de juros, se precisar, entra no vermelho. Se não quiser se ferrar, pede para que seu pai transfira uma grana para sua conta e acabaram os seus problemas. Aparentemente. Em alguns casos, os progenitores mantêm esse suporte para a vida toda. Afinal, basta digitar os números da sua agência e conta corrente e passar digitalmente o dim-dim para o pimpolho.

E a menina-cofrinho? Para quem acompanhou a história da menina-cofrinho, uma boa notícia: a moeda saiu pelos fundos. Já era esperado. Os médicos do Hospital Universitário previram que poderia levar até uma semana. Dito e feito, ela desceu na sexta-feira. Nesse dia chegou-se também à conclusão óbvia de que moedas não costumam passar pelo vaso sanitário. O metal é pesado. E, pasmem, era uma modeda de 50 centavos, a versão mais gordinha.

Relógio de pulso? – Nos dias de hoje, algum de vocês já se deu ao trabalho de observar se crianças de 11 anos usam relógio de pulso? Que nada, isso é do século passado. Para quê? Hoje a maioria da molecada checa, na tela do celular, o horário das aulas, principalmente quando faltam minutos intermináveis para bater o sinal.

Mobile learning Na sexta-feira, dia 11, entrevistei Dean Shareski, um consultor em educação no Canadá. A transmissão foi ao vivo pela na web-rádio do Centro Cultural Bradesco. Ele relatou sua experiência em um colégio no Canadá, onde os alunos do 9º ano usaram celulares em sala de aula como uma ferramenta para atividades de literatura. Aí vai um trecho da entrevista, em podcast. Interview with Dean Shareski, an educational consultant from Canada.

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Celular: ferramenta na educação e a menina-cofrinho

Notícias da menina-cofrinho – após sete dias de espera, a moeda (25 centavos ou 1 real) continua alojada no corpo de minha caçula. Os médicos estabeleceram uma data-limite: sexta-feira, quando ela será submetida a um terceiro raio-x para poder monitorar sua trajetória e certificar-se se ela já foi para o intestino – como se vê, um longo caminho a ser percorrido.

No futuro, é bem provável que as crianças saiam do útero já dotadas de chips GPS (sistema de posicionamento global), que permitirão que os pais monitorem seus filhos, mantendo um falso controle sobre eles. Essa tecnologia avançada não impedirá, no entanto, que crianças continuem engolindo moedas ou brinquedinhos.

O celular na educação – para o mesmo dia, está confirmada novamente minha presença na oficina sobre o uso do celular como ferramenta na educação da criançada. Convido, portanto, os leitores a sintonizar às 21h (horário de Brasília -3GMT) na rádio Online do Centro Cultural Bradesco. Quem quiser participar com perguntas pode fazê-lo de duas formas: pelo Skype, bastando adicionar na sua conta os contatos Zilveti ou Gilson Schwartz, curador do CCB e professor de Iconomia da ECA-USP. Quem tem computador poderoso com placa de vídeo pode entrar no Second Life e sentar-se em uma das cadeiras do auditório virtual.

A idéia da oficina é refletir sobre o uso do celular como ferramenta na educação. Em inglês, usam-se alguns termos, entre eles mobile learning ou m-learning. Nos tempos de hoje, em que crianças tiram fotos e filmam com celulares, subindo imediatamente o material para o YouTube ou o Flickr, e o velho bilhetinho passado de mão em mão foi substituído pelas mensagens de texto, o educador se encontra em uma encruzilhada.

Não está em questão se o celular deve ser coibido em sala de aula. O governador do Estado de São Paulo já sancionou uma lei proibindo seu uso na rede escolar. Vale lembrar que, antes da Páscoa, uma aluna agrediu uma professora em uma escola pública na cidade do Porto. Assistido milhares de vezes, esse vídeo produzido por alunos durante a aula foi ao ar pela cadeia da televisão portuguesa e virou manchete de jornais. As lições que ele deixa são inegáveis. Uma delas é a relação de poder entre o professor e os alunos fora das quatro paredes do sacrossanto lar.

Como transformar o celular em um aliado do professor? Há pelo menos dois exemplos relevantes que mostram sua utilização a favor do educador. O que prova a atualidade do velhíssimo ditado “se você não pode com seu inimigo, junte-se a ele”.

Em um país onde apenas 20% da população tem acesso à energia elétrica, porém mais de 80% dos habitantes possuem celulares, principalmente os jovens, Kumaras Pillay, da província de KwaZulu Natal, mudou a dinâmica da sala de aula, ao adotar um projeto nas disciplinas de matemática e ciências.

Pillay criou um portal de telefonia móvel que exerce o papel de tutor para os estudantes dessas disciplinas. A idéia é simples: ajudar os alunos a entender o conteúdo de uma outra forma. O portal Mobile Learner contém exercícios complementares às aulas. Os alunos formam grupos e fazem pesquisas pelo celular, aumentando seu interesse nas salas.

O consultor em tecnologia móvel para a educação Dean Shareski, no Canadá, participou de uma experiência interessante em um colégio. Os alunos dois oitavos e nonos anos estudavam o livro “The Wave”, que põe em xeque vários conceitos. Por sinal, ética é um deles. Onde entra o celular? Para os alunos, ele não é nenhuma novidade, pois são de uma geração que já nasceu fotografando com esse aparelho. Filmar e postar na web faz parte do seu cotidiano.

Uma das propostas em sala de aula foi discutir regras de etiqueta, privacidade, segurança e limite. Eles também descobriram que seus telefones poderiam servir para gravar anotações e criar conteúdo multimídia para a sala de aula, além de utilizá-lo como organizador do dia-a-dia. Descobriram que a conexão sem fio, conhecida por Bluetooth, era excelente para trocar arquivos. Dessa forma, eles puderam criar resumos das discussões em grupo, usando videoclipes e fazendo gravações de áudio.

O leitor quer mais? Agora é esperar para ouvir minha oficina. Já pedi entrevista a Dean Shareski e nossa conversa deve ser gravada pelo Skype. E repito o convite: compareçam na sexta-feira, dia 10, às 21h, na rádio Online, pelo Skype ou pelo Second Life.

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