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um post pornográfico

consenso e fato consumado: a sacanagem desbragada, a mais grossa patifaria, é rentável. que bem o diga a indústria pornográfica. os números são desencontrados, no entanto, para onde quer que se dirijam as balas perdidas do tiroteio estatístico, os alvos estão sempre na casa dos milhões de dólares _segmentos e produtos específicos_ ou bilhões de dólares ao ano, no caso da indústria norte-americana. filmes, livros, sites, canais de TV, revistas, jogos de computador e de videogame, serviços de tele-sexo…

a lista de produtos e serviços continua, se é que podemos utilizar o termo, a crescer. conteúdo para telefonia celular, menos que uma nova fronteira, é uma área concreta de expansão. segundo a empresa britânica Juniper Research, pornografia via celulares faturou na Europa, em 2007, 775 milhões de dólares.

relatório da Juniper, sugestivamente batizado com o nome de Adult Content in the Palm of Your Hand, realiza um mapeamento dos diversos tipos de conteúdos que podem ser oferecidos aos assinantes.

entre o material de “entretenimento adulto” estão inclusos serviços de mensagem SMS como piadas, encontros e bate-papo, videoclip, conversa por vídeo, fotos, toques de celular em gemidos e joguinhos.

o relatório na verdade é apenas o resumo, um “whitepaper”  com base em trabalho mais elaborado do órgão de pesquisa, o Mobile Adult Subscriptions, Downloads, Video Chat & Text-Based Services 2007-2012 (Fourth Edition), uma verdadeira radiografia e uma extensa análise de negócios para empreendedores do setor.

são considerados aspectos como obstáculos culturais e marcos regulatórios de diferentes países em relação à matéria, aspectos comportamentais do consumidor, tecnologia necessária para tráfego do conteúdo multimídia, controle de acesso aos menores de idade, formas de estabelecer preços, estrutura das operadoras de telefonia para suportar o tráfego de informação multimídia, além de avaliação do potencial do negócio, retorno de investimento, adoção da tecnologia 3G e demais pontos.

o relatório estima ainda que o mercado europeu até o ano de 2012 deverá chegar a 1,5 bilhão de dólares, seguido de perto pela China e extremo oriente. em todo o mundo o mercado deve atingir 3,5 bilhões de dólares em 2010. na projeção de crescimento os Estados Unidos devem saltar da posição atual de 1% do market share global para 12% em 2012.

Projeção de crescimento
 

mal-estar na cultura

o sentimento puritano na América do Norte anglo-saxã tem sido apontado como o responsável pela fraca, se é que podemos utilizar o termo, penetração dos serviços de pornografia por celular naquela parte do hemisfério.

plausível porém pouco provável. estimativas de analistas do mercado dão conta de que nos Estados Unidos o setor fature uma cifra da ordem de 20 bilhões de dólares ao ano, em filmes. por que, então, a timidez ao celular?

a possibilidade é de que a falta de comunicabilidade entre os diferentes padrões de telefonia móvel adotados pelas operadoras, tenha sido o real motivo de entrave ao desenvolvimento do setor no território da venda de serviços de sexo por celular.

mas ainda que seja, de fato, uma mera questão de padronização em telecomunicações que conta naquele país para que serviço de pornografia por celular não tenha decolado ainda e não uma suposta questão de fundo ético-moral, a pertinência da discussão nesse campo permanece. principalmente ao considerarmos os esforços da cultura ocidental de coibir questões como pedofilia ou mesmo a pornografia em sua mais completa expressão.

o inegável sucesso da indústria pornográfica no mundo inteiro talvez revele algo mais profundo nos rumos da nossa civilização, de nossa consciência coletiva. de como encaramos o desejo e a sexualidade, amor e libido, a cultura na acepção civilizatória e seu oposto, a supremacia do sentido (desejo) impulsionando a barbárie.

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Net-etiqueta em vôos – para pensar

Executive at flight equipped with a

Foto: Mark Lennihan / AP

Será que as regras de etiqueta vão funcionar nos ares? Cena 1: a 33  mil pés de altitude, o passageiro do assento 17D bate um papo furado em uma interminável ligação telefônica via internet, cujo custo, para quem não sabe, limita-se à mensalidade paga ao provedor. No asento de trás, outro internauta tecla incansavelmente com seu interlocutor. O sujeito ao lado está muito ocupado surfando em sites de pornografia para se preocupar com a vizinhança. E o passageiro da poltrona 17C quer apenas dormir. Corta.
Cena 2: no meio da noite de um longo vôo que atravessa o oceano Atlântico, um celular toca insistentemente. O dono do aparelho atende e, sem cerimônica alguma, fala como se estivesse em sua casa.
O artigo “In-flight Internet raises etiquette concerns” , difundido pela Associated Press, levanta alguns pontos interessantes sobre esses cenários.
Se o cidadão tem o direito de estar em um vôo e abrir na tela do seu computador o que lhe der na telha, e os defensores da rede são contra quaisquer restrições, será que haverá margem para o famoso e discutido bom senso?
O que é afinal bom senso? Que eu saiba, vive-se em uma sociedade em que cada um prega e pratica o seu. Em suma: 6,5 bilhões de supostos bons sensos.
Pode apostar: muita gente vai torcer o nariz. Imagine uma família espalhada em vários assentos e o garotão de 12 anos senta-se justo ao lado de um passageiro que navega por sites pornôs. Ok, trata-se de uma curiosidade secular, mas muitas  mães vão ficar de cabelo em pé e reclamar com a tripulação.
Além disso, é notório que hoje menores de idade viajam desacompanhados com mais freqüência.
No quesito mobilidade, a Air France planeja permitir ligações telefônicas em vôo. Não há, por ora, nenhuma regra estabelecida.
Provavelmente, em breve, veremos as companhias aéreas e os provedores de acesso criando códigos de conduta ou mesmo formas de bloqueio a sites inadequados, ou, quem sabe, a serviços de ligações via internet (VoIP), forjando assim a sua própria net-etiqueta para usuários da web em vôo.
Afinal, o que acontece quando um passageiro abre seu laptop e assiste a um DVD? Ou, então, folheia uma revista de conteúdo inapropriado para menores.
No final do artigo, o porta-voz da Aircell LLC, Jack Blumenstein, acredita que “a decência, o bom senso e comportamento normal vão prevalecer”.

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