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Garçom, uma garrafa de celular, por favor

Um celular para ecochatos, oops, ecológicos de plantão

Um celular para ecochatos, oops, ecológicos de plantão

Ecochatos de plantão, oops, sorry, ecológicos de carteirinha, eis uma notícia para agradar os militantes da causa. A Motorola aderiu à onda da sustentatibilidade, termo usado por “11 entre 10” pessoas que acreditam em reciclagem.

Durante a Computer Electronic Show, a feira de eletrônicos mais importante dos EUA, que acontece anualmente em janeiro na terra da  jogatina, a empresa anunciou o W233, com revestimento em material reciclado a partir de garrafas plásticas.

Seguindo a linha do politicamente correto, o tamanho da embalagem foi reduzido em 22%, e o papel impresso é 100% reciclado.

Parabéns pela iniciativa. Bacana, mas vamos aos fatos: essa máscara de sustentatibilidade nada mais é do que economia na ponta do lápis. Aos cálculos. Quanto custa reduzir o tamanho da embalagem em 22%? A resposta pode vir diretamente da gráfica.

Em um planeta, em que o consumo permeia o indivíduo, vamos a uma pergunta: o que você faz com o seu aparelho velho?

a) Joga no lixo do vizinho;

b) Encosta na gaveta com os outros mais antigos ainda;

c) Encontra em qualquer loja um recipiente de algum fabricante que se preocupa em fazer coleta para reaproveitar os aparelhos.

Ok, a brincadeira não tem status para nenhuma estatística. Então vamos à foto abaixo.

Celular velho = ouro verde © Richard Barnes

Celular velho = ouro verde © Richard Barnes

Há cerca de um ano, deu no The New York Times a seguinte manchete: “The Afterlife of Cellphones“, em tradução livre, a vida após os celulares. No primeiro parágrafo, o autor constata que, em 2006, os cidadãos dos EUA despejaram 3 milhões de toneladas de eletrônicos no lixo comum. O artigo merece leitura, e o autor se deu ao trabalho de visitar uma indústria que reaproveita os metais de eletrônicos.

Não se trata de questão ecológica. Business. Negócio puro. É grana mesmo. Motivo simples: a empresa trabalha com tratamento de materiais, extraindo metais de televisores, computadores e celulares.

Em suma, parte do metal do telefone móvel vai para a fundição e, em temperaturas altíssimas, vira ouro. É o chamado ouro verde.

O umbigo é mais embaixo ainda. Porque esse segmento da indústria não consegue obter material necessário para produzir o ouro verde. Bom em uma cadeia, é meio óbvio que todos precisam fazer sua parte.

Eu diria, que a indústria de telefonia móvel não faz o suficiente. Isso mesmo. Não faz o seu papel. Porque as campanhas em sites, promovendo reciclagem são puro marketing, para deixar claro ao visitante que estão cumprindo sua obrigação.

Se o consumidor não é estimulado a se livrar de seus aparelhos para que outro segmento da indústria possa reaproveitá-los, ele o encosta na gaveta e pronto. Ou joga no lixo do vizinho. E mesmo com algumas práticas da indústria de reciclagem, o lixo continua aí.

Você tem idéia do que significa TRÊS MILHÕES DE TONELADAS de lixo de eletrônicos? Impossível conceber ou dimensionar.

Então, de que adianta produzir um celular bacana ecologicamente correto, feito de material reciclável se, mais adiante, ele vai parar na lata do lixo?

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Estatísticas de terças

Wireless Intelligence Database

Um pouco de cifras para os que vivem a contar números – É sempre bom relembrar: o planeta é habitado por 6,5 bilhões de pessoas e há 3,3 bilhões de linhas de celulares.

Quer mais estatísticas? Aí vão: o Instituto Wireless Intelligence divulgou recentemente que a marca de um primeiro bilhão de celulares vendidos em todo o mundo levou 20 anos para ser atingida, precisamente em 2002.

O segundo bilhão de aparelhos despejados no mercado aconteceu em quatro anos, e o terceiro bilhão foi amealhado em dois anos pela população mundial.

ITU Corporate Annual Report 2007

Uma comparação para dar uma dimensão ao leitor: o planeta levou 125 anos para somar um bilhão de linhas fixas. Esse dado é da International Telecommunication Union, que oferece ao interessado o ITU Corporate Annual Report 2007, recheado de cifras.

Se até a metade de 2007 o planeta já atingira a cifra de 3 bilhões de linhas, vale também destacar que o número de usuários de internet no mundo todo alcançou 1,2 bilhão no final de 2006, com 280 milhões de assinantes mundiais de banda larga. Desse total, 70% está localizado em países com PIB decente.

A ITU também revela que no final de 2006, 68% dos assinantes de telefonia móvel eram de países emergentes. Isso talvez explique porque os governos em países na África e na Ásia começam a deixar de lado os investimentos na construção de redes de telefonia fixa, incentivando o surgimento de novas torres.

A infra-estrutura para a construção de uma rede de telefonia móvel parece bem mais atraente do ponto de vista econômico: é cara a construção assim como a manutenção rede de telefones fixos, além de exigir um endereço do assinante e uma taxa mensal pela linha.

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um post pornográfico

consenso e fato consumado: a sacanagem desbragada, a mais grossa patifaria, é rentável. que bem o diga a indústria pornográfica. os números são desencontrados, no entanto, para onde quer que se dirijam as balas perdidas do tiroteio estatístico, os alvos estão sempre na casa dos milhões de dólares _segmentos e produtos específicos_ ou bilhões de dólares ao ano, no caso da indústria norte-americana. filmes, livros, sites, canais de TV, revistas, jogos de computador e de videogame, serviços de tele-sexo…

a lista de produtos e serviços continua, se é que podemos utilizar o termo, a crescer. conteúdo para telefonia celular, menos que uma nova fronteira, é uma área concreta de expansão. segundo a empresa britânica Juniper Research, pornografia via celulares faturou na Europa, em 2007, 775 milhões de dólares.

relatório da Juniper, sugestivamente batizado com o nome de Adult Content in the Palm of Your Hand, realiza um mapeamento dos diversos tipos de conteúdos que podem ser oferecidos aos assinantes.

entre o material de “entretenimento adulto” estão inclusos serviços de mensagem SMS como piadas, encontros e bate-papo, videoclip, conversa por vídeo, fotos, toques de celular em gemidos e joguinhos.

o relatório na verdade é apenas o resumo, um “whitepaper”  com base em trabalho mais elaborado do órgão de pesquisa, o Mobile Adult Subscriptions, Downloads, Video Chat & Text-Based Services 2007-2012 (Fourth Edition), uma verdadeira radiografia e uma extensa análise de negócios para empreendedores do setor.

são considerados aspectos como obstáculos culturais e marcos regulatórios de diferentes países em relação à matéria, aspectos comportamentais do consumidor, tecnologia necessária para tráfego do conteúdo multimídia, controle de acesso aos menores de idade, formas de estabelecer preços, estrutura das operadoras de telefonia para suportar o tráfego de informação multimídia, além de avaliação do potencial do negócio, retorno de investimento, adoção da tecnologia 3G e demais pontos.

o relatório estima ainda que o mercado europeu até o ano de 2012 deverá chegar a 1,5 bilhão de dólares, seguido de perto pela China e extremo oriente. em todo o mundo o mercado deve atingir 3,5 bilhões de dólares em 2010. na projeção de crescimento os Estados Unidos devem saltar da posição atual de 1% do market share global para 12% em 2012.

Projeção de crescimento
 

mal-estar na cultura

o sentimento puritano na América do Norte anglo-saxã tem sido apontado como o responsável pela fraca, se é que podemos utilizar o termo, penetração dos serviços de pornografia por celular naquela parte do hemisfério.

plausível porém pouco provável. estimativas de analistas do mercado dão conta de que nos Estados Unidos o setor fature uma cifra da ordem de 20 bilhões de dólares ao ano, em filmes. por que, então, a timidez ao celular?

a possibilidade é de que a falta de comunicabilidade entre os diferentes padrões de telefonia móvel adotados pelas operadoras, tenha sido o real motivo de entrave ao desenvolvimento do setor no território da venda de serviços de sexo por celular.

mas ainda que seja, de fato, uma mera questão de padronização em telecomunicações que conta naquele país para que serviço de pornografia por celular não tenha decolado ainda e não uma suposta questão de fundo ético-moral, a pertinência da discussão nesse campo permanece. principalmente ao considerarmos os esforços da cultura ocidental de coibir questões como pedofilia ou mesmo a pornografia em sua mais completa expressão.

o inegável sucesso da indústria pornográfica no mundo inteiro talvez revele algo mais profundo nos rumos da nossa civilização, de nossa consciência coletiva. de como encaramos o desejo e a sexualidade, amor e libido, a cultura na acepção civilizatória e seu oposto, a supremacia do sentido (desejo) impulsionando a barbárie.

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Aos fatos

6,5 bilhões de habitantes no planeta. Quer mais?
3,25 bilhões de linhas de telefonia móvel?
A pergunta que não quer calar: o que fazer com as baterias usadas e os aparelhos velhos?

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